Fazer frente simultaneamente à poluição e à seca. É este o objectivo do sistema de abastecimento e de saneamento das águas em execução no Alto Zêzere com o apoio do Fundo de Coesão.
Operação H2O
- 01 March 2006
Contexto
Situada no Nordeste da Região Centro e confinando com a fronteira espanhola, a zona do Alto Zêzere e Côa enfrenta dificuldades comuns aos territórios do interior português, tais como a baixa densidade de população, uma média etária elevada e a falta de qualificações. Acresce ainda – é facto recente - uma gestão inadequada das águas: parcelamento das redes de abastecimento e deficiências nas infra-estruturas. Advêm daí carências graves em termos de quantidade e de qualidade da água disponível em concelhos expostos a períodos de seca, mas também a um problema de poluição a jusante.
Várias bacias hidrográficas nascem neste território dominado pela Serra da Estrela. Trata-se, nomeadamente, do caudal a montante do rio Zêzere, que, antes de desaguar no Tejo, alimenta, no Sul da Região Centro, a importante barragem de Castelo de Bode, que abastece em água mais de um terço da população portuguesa. É para combater a poluição do Alto Zêzere e, depois, do Côa e do Mondego, respondendo ao mesmo tempo às necessidades de abastecimento das populações locais, que se elaborou um sistema multimunicipal com um triplo objectivo: um serviço de qualidade, duradouro e a tarifas socialmente aceitáveis.
Os dois pólos do ciclo da água
Nasceu assim em 4 de Julho de 2000, por Decreto-lei, o "Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água e de Saneamento do Alto Zêzere e Côa" em paralelo com uma sociedade anónima de direito privado e capitais públicos, a S.A. Águas do Zêzere e Côa (AdZC), encarregada de assegurar a construção e exploração do sistema no âmbito de uma concessão de 30 anos, por um investimento total de cerca de 260 milhões de euros neste período. Para além dos 16 concelhos beneficiários, a AdZC conta entre os seus accionistas a sociedade pública Águas Portugal. A nova rede é a primeira do país a gerir os dois pólos do ciclo da água: abastecimento e tratamento.
Está previsto que, em 2008, a AdZC cubra 95% do abastecimento de uma população de cerca de 200 000 habitantes e assegure ao mesmo tempo 90% do tratamento das águas residuais. A capacidade do sistema poderá ir até 107 200 m³ por dia, para abastecimento de água a 290 000 habitantes, e 54 000 m³, para tratamento das águas residuais (o que corresponderá ao abastecimento de água a cerca de 307 000 habitantes).
Resultados
A maior parte do abastecimento é doravante assegurada pelas águas de superfície e a redução do número de fontes de adução permite controlar melhor a qualidade da água captada. Desta maneira, a água captada não precisa tanto de ser tratada antes do abastecimento e há também muito menos perdas de água, pelo que estes dois factores tornam previsível uma redução dos custos. Graças a uma gestão inteligente da água, a maior parte das localidades puderam evitar a penúria de água nas condições de seca extrema do Verão de 2005.
Quanto ao tratamento das águas residuais, este abrange actualmente uma parte fortemente acrescida da população, com soluções técnicas adaptadas às características locais e custos de exploração pouco elevados. Permite igualmente uma melhoria substancial da qualidade dos recursos hídricos e a conformidade dos municípios envolvidos com a directiva europeia sobre as águas urbanas residuais.
O impacto rápido do projecto sobre a qualidade da vida teve um efeito estruturante real sobre o desenvolvimento socioeconómico do território. Por outro lado, a AdZC emprega actualmente cerca de 100 pessoas e prevê-se um aumento para 130 empregados. Os efeitos em termos de emprego medem-se também pela subcontratação de algumas tarefas: análises em laboratório, manutenção das infra-estruturas, evacuação das lamas, etc. Na fase inicial, cerca de 2 500 empregados exerceram actividades de estudo, de estaleiro ou de controlo, de gestão fundiária ou de acompanhamento arqueológico.