Turbinas eólicas frente ao oceano

Transferir para Portugal uma tecnologia experimentada na Dinamarca é uma boa coisa para a Europa. Quando se trata de energias renováveis, todos aqueles que têm uma fibra ecológica ficam alerta. Não é portanto de espantar que o projecto de Monte Chãos - financiado, em parte, pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional - tenha «levantado voo»...

Outras ferramentas

 
A ideia de instalar um parque de turbinas em Portugal germinou em 1990 nos férteis espíritos de um grupo de profissionais dinamarqueses, um membro do qual vivia em Melides, em Portugal. A costa portuguesa, exposta aos ventos ocidentais, parecia propícia ao acolhimento de um tal projecto. Para se implantar o parque eólico, escolheu-se um terreno de 7 hectares no Monte Chãos, uma colina com cerca de 100 m de altura, situada a 3 km do mar, em Sines. O terreno é propriedade do município, enquanto a tecnologia e o saber-fazer provêm de uma sociedade privada, Aerogeradores de Portugal S.A.. Os trabalhos tiveram início em Abril de 1991 e, seis meses mais tarde, as primeiras turbinas eólicas erguiam-se frente ao Oceano.

Hoje, todo o parque se encontra operacional. É composto por 12 turbinas de tipo «Wind World W-2800», fabricadas na Dinamarca. Obtiveram a certificação nacional na «Estação de Ensaios» de Risø, na Dinamarca, e calcula-se que terão uma vida de 20 anos no mínimo. Cada turbina tem 31 m de altura com um diâmetro de rotação de 28 m, o que significa que a área varrida por cada hélice é de 612 m2, ou seja um total de 7 344 m2 para o conjunto do parque.

As turbinas estão dispostas em três grupos de quatro unidades. Estão ligadas entre si e são geridas mediante um sistema de fibras ópticas. Esta tecnologia de ponta permite controlá-las e comandá-las à distância, mesmo a partir da Dinamarca, se for necessário, visto que o sistema funciona num raio de 3 000 km.

Estas turbinas produzem uma corrente de 380 volts, recolhida por três estações de transformação. Aí, a voltagem é convertida até 15 000 volts e injectada na rede da EDP, a companhia de electricidade nacional.

A potência máxima de cada gerador é de 150 kw/hora. Esta potência é atingida quando o vento sopra a 11-12 metros/segundo ou a 40 km/hora, o que nem sempre acontece... A produção anual do parque é de cerca de 2,5 milhões de kw, o que equivale ao consumo de electricidade anual de Sines, excluindo as indústrias.

A Aerogeradores de Portugal vende o kw à EDP ao preço bruto médio de 12,5 escudos. Este dado, aparentemente muito simples, esconde uma realidade instável: o preço de venda da electricidade produzida é variável, em função da estação do ano - a procura mais acentuada no Inverno leva a um aumento do preço - e da hora de fornecimento: «picos» durante o dia e preço mínimo durante a noite. Será de concluir que o recurso às energias renováveis abre a via a um tipo de trocas económicas novas, associadas à chuva e ao sol?

Data do projecto

01/01/2004