O Fluviário de Mora ou a vida no fio da água

No Alto Alentejo, um aquário gigante de água doce serve de observatório científico da vida no meio fluvial e de centro de educação para o ambiente, sem deixar de irrigar a economia local pela sua atractividade turística.

Outras ferramentas

 
Fluviário de Mora, simultaneamente pólo de atracção turística, centro de estudos científicos e espaço de educação para o ambiente. Fluviário de Mora, simultaneamente pólo de atracção turística, centro de estudos científicos e espaço de educação para o ambiente.

Contexto

O Município de Mora (com cerca de 5 500 habitantes) situa-se no distrito de Évora, no Alto Alentejo, a uma centena de quilómetros de Lisboa. Afectado pelo êxodo rural, pela desertificação económica e um nível de desemprego mais elevado do país - consequências de uma crise estrutural que atingiu há anos quase todos os sectores da sua economia -, o Alentejo possui muitos trunfos, entre os quais a sua forte identidade cultural e o seu notável património natural.

A construção do Fluviário de Mora – o maior aquário de água doce na Europa e o terceiro do género no mundo – na margem esquerda da Ribeira do Raia em pleno Parque Natural do Gameiro, faz parte do rol de iniciativas co-financiadas pelo FEDER para valorizar este património. Fruto de um protocolo assinado em Fevereiro de 2004 entre o Presidente da Câmara de Mora (*) e o Oceanário de Lisboa, o projecto visava essencialmente objectivos científicos e educativos, mas augurava também repercussões económicas substanciais para a comunidade local, graças ao importante pólo de atracção que representa e às actividades de turismo, comércio, artesanato e lazer que é suposto gerar.

Radioscopia de um rio

Inaugurado em 21 de Março de 2007, após uma vasta campanha de informação, tanto nos média portugueses como na Estremadura espanhola vizinha, o edifício foi exteriormente concebido de forma a evocar as granjas tradicionais da região de Évora, integrando-se assim na paisagem rural.

No interior, alberga um complexo de aquários e de terrários de exposição permanente, concebido e apetrechado de modo a permitir a criação e observação de perto de dezenas espécies de peixes, batráquios, répteis ou mamíferos de meios fluviais nos seus biótopos naturais reconstituídos o melhor possível, desde a nascente até à foz.

Quando o Amazonas corre no Alentejo

Ao lado das carpas, esturjões, enguias, polvos, lontras e outros "pensionistas" representativos da fauna local e europeia, sem esquecer os vegetais, a sofisticação técnica do Fluviário permite-lhe acolher diferentes “hóspedes” provenientes das águas africanas ou amazónicas, tais como piranhas e anacondas. Motivos suficientes para suscitar a curiosidade dos visitantes e permitir a comparação dos ecossistemas.

Para o acolhimento dos seres humanos, o sítio comporta ainda um museu de pesca desportiva, um centro de documentação, um espaço multimédia, um auditório, salas de reuniões para uso científico ou educativo e diversas comodidades: restaurante e cafetaria, lojas, área de estacionamento para autocarros e veículos, etc. O ordenamento do sítio inclui igualmente a construção de vias de acesso e de uma estação de tratamento das águas residuais.

Resultados

Apesar das inúmeras dificuldades, financeiras, administrativas ou técnicas, que marcaram a criação deste projecto ambicioso, já há resultados tangíveis, ultrapassando mesmo as previsões. Um mês após a sua abertura, o Fluviário, que permitiu a criação de várias dezenas de empregos directos, já havia acolhido 35 000 visitantes e espera-se uma afluência anual de 250 000. Entre os públicos mais interessados há os milhares de alunos das escolas das redondezas.

Para além deste sucesso de algarismos, o Fluviário de Mora desempenha a função de centro de estudos e de investigações sobre a fauna e a flora de água doce e seus habitats, em cooperação com instituições científicas e universitárias. Constitui também, nomeadamente junto dos mais jovens, um centro de sensibilização e de educação para o ambiente, para os seus ofícios e para o impacto da actividade humana sobre os ecossistemas aquáticos e os recursos de água, susceptível de despertar vocações. Além disso, ajuda a valorizar as tradições locais nas suas dimensões ecológica e social.


(*) Até hoje a única autoridade local do país a dispor de um sistema integrado de gestão da qualidade, do ambiente e da segurança, certificado segundo as diferentes normas internacionais.


Data do projecto

01/06/2007