Colocar o mar ao nosso serviço ao invés de o deixarmos dominar

Na Central de Energia das Ondas nos Açores, a obtenção de energia renovável e limpa, a partir das ondas do mar, não é uma mera especulação. O WavEC, e mais concretamente a sua central eléctrica experimental na Ilha do Pico, Açores, Portugal, é um centro pioneiro no domínio do conhecimento e do desenvolvimento da energia das ondas. Esta central foi inaugurada em meados dos anos 90, tendo sido assumida pelo WavEC em 2004. Actualmente, este centro, uma associação privada sem fins lucrativos, engloba 15 órgãos associados, incluindo empresas do sector da engenharia, da construção e organizações dedicadas à investigação.

Outras ferramentas

 
Homem versus natureza na Ilha do Pico Homem versus natureza na Ilha do Pico

«Desde o início de 2010, a central do Pico gerou certamente mais energia do que qualquer outra central de energia das ondas da Europa.»
Ana Brito-Melo, WavEC

O Pico foi identificado como sendo o local que reúne o máximo de vantagens naturais em termos de energia das ondas. A central está situada na zona de Cachorro, onde a profundeza do mar num canal de rocha permite a produção de energia das ondas, em níveis elevados. A central conta ainda com acesso rodoviário, estando ligada a uma rede de alimentação eléctrica.

Tenacidade na investigação

O primeiro projecto foi iniciado em 1992, tendo sido co-financiado pela UE e pelo Governo português; recebeu igualmente apoio financeiro conjunto por parte dos operadores eléctricos nacionais e regionais (EDP e EDA). O projecto centrava-se no fornecimento de uma pequena rede de electricidade, particularmente relevante para a produção de energia eléctrica local em zonas remotas. Este projecto manteve-se até 1999, mas defrontou-se repetidamente com problemas técnicos. Seguiu-se um novo período de ensaios, entre 2005 e 2007, tendo os desafios técnicos herdados do projecto original, aliados a um orçamento insuficiente para fazer face aos mesmos, impedido o funcionamento satisfatório da central.

Em 2008, os investigadores estavam novamente em condições de progredir no seu trabalho, pelo que foi assinado um contrato com a EDP, integrada num consórcio português. Este projecto tinha uma ideia muito clara de quais os desafios a vencer e registou progressos úteis; contudo, o aumento dos custos e os efeitos de danos concretos sofridos ditaram a suspensão do projecto. O WaveEC decidiu continuar o seu trabalho dentro das suas possibilidades financeiras, contando com o apoio de parceiros técnicos como a Kymaner e a Efacec. Em 2009 foram obtidas melhorias significativas, que permitiram um funcionamento autónomo, com potência nominal, no início de 2010.

A central do Pico mostra como o progresso científico se baseia na adversidade e na necessidade de um compromisso a longo prazo. Os conhecimentos adquiridos, em condições rigorosas, ao longo de 18 anos, deram um contributo substancial para a construção da reputação científica do Centro.

Demonstração de uma competência técnica crescente

O Pico continua a ser o património mais importante da WavEC, tendo gerado mais energia do que qualquer outra central de energia das ondas da Europa. Com o financiamento contínuo existe potencial para garantir uma fonte de energia renovável única e comercial e para continuar a alargar os conhecimentos da comunidade científica. Trata-se de uma parte vital da transferência de tecnologia nesta área científica, além de gerar um efeito secundário bastante apreciado, nomeadamente o interesse turístico pela ilha.

Actualmente, o Centro está envolvido numa rede de investigação partilhada em expansão, agindo regularmente como entidade consultora técnica em projectos de energia marítima renovável. O projecto CE Equimar beneficia da competência técnica do WavEC nos testes que realiza a equipamento de extracção de energia marítima e I&D na área ambiental, ao passo que o projecto wavetrain2 consiste num programa de formação a nível da UE em rede, coordenado pelo Centro. A viabilidade futura do Centro continua a ser grande e a lição aprendida nos últimos 18 anos dita que a experimentação e resolução contínuas de problemas são a única forma genuína de avançarmos nesta área fascinante, mas imprevisível. Não existem soluções rápidas para o aproveitamento da energia do mar, mas existem muitas razões para esperarmos um grande retorno no futuro.


Data do projecto

25/05/2010