Edição do verão de 2021

Os progressos registados na campanha de vacinação contra a COVID-19 permitem a reabertura dos estabelecimentos de restauração e a flexibilização das restrições de viagem na UE, com o consequente impacto positivo na estação turística de verão e no consumo geral de produtos alimentares. Isto confirma as projeções positivas antecipadas nas perspetivas a curto prazo da primavera de 2021. Subsistem contudo incertezas quanto à capacidade para controlar a propagação da variante Delta do vírus e ao seu eventual impacto nas pessoas vacinadas.

As perspetivas de mercado abrangem a UE-27. Mantêm-se os dados históricos da UE-28, que vão sendo atualizados à medida que vão chegando novas revisões. Para além das perspetivas a curto prazo, a Comissão publica igualmente documentos conexos, nomeadamente dados estatísticos e balanços.

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Perspetiva macroeconómica

Os casos diários de COVID-19 registam atualmente uma tendência descendente na maioria dos países da UE e do mundo, incluindo a Argentina, o Canadá, a Índia, o Japão e os EUA. De uma forma geral, as campanhas de vacinação continuam a avançar em conjunto os países da UE.

A recuperação económica já está em curso, situando-se acima das previsões. No entanto, subsistirão incertezas e riscos económicos enquanto durar a crise sanitária, reforçando a importância das campanhas de vacinação à escala mundial em termos rápida progressão, eficiência e eficácia.

Os preços da energia deverão continuar a aumentar ao longo do ano de 2021, aproximando-se dos níveis registados antes da pandemia de COVID-19. No caso do petróleo e do gás, o aumento da procura acompanha uma oferta controlada.

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Culturas arvenses

Os preços das principais culturas arvenses mantiveram a sua progressão ao longo da primavera. A grande procura de vários produtos de base por parte da China, a elevada procura no setor do biodiesel nos EUA e as incertezas quanto aos níveis de produção e às práticas comerciais colocam os preços mundiais numa tendência ascendente. Em maio, o índice de preços dos produtos alimentares da FAO atingiu o seu valor mais elevado desde setembro de 2011, mas os preços têm vindo a baixar desde então a nível mundial, graças a um ligeiro aumento das existências no final do período.

No período de 2021/2022, a produção cerealífera da UE poderá registar um aumento de 288,7 milhões de toneladas (+ 4 % em relação ao período homólogo). De igual modo, a produção de oleaginosas e de proteaginosas da UE poderá atingir 30,1 milhões de toneladas (+ 9,5 %) e 4,6 milhões de toneladas (+ 6,7 %), respetivamente. O consumo interno da UE poderá também aumentar, especialmente no setor dos cereais forrageiros (+ 0,5 %) e dos óleos vegetais. Embora as importações de cereais na UE possam baixar, prevê-se que as importações de oleaginosas se mantenham elevadas (+ 17 % / média de 5 anos).

A produção de beterraba sacarina da UE poderá atingir os 110 milhões de toneladas (+ 11 em relação ao período homólogo) no período de 2021/2022. A produção de açúcar poderá aumentar 1 milhão de toneladas em relação ao período de 2020/2021, passando para 15,5 milhões de toneladas.

De acordo com as previsões, assistir-se-á ao aumento da produção de biocombustíveis da UE em 2021, a par da retoma da procura de combustíveis para transportes. A produção de biodiesel deverá ser alimentada com óleos alimentares usados e outros resíduos de matérias primas, enquanto o bioetanol deverá crescer principalmente graças ao trigo e ao milho.

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Culturas especializadas

Apesar do aumento da produção de azeite da UE no período de 2020/2021, o crescimento das exportações e a recuperação da procura interna (+ 5 %) deverão contribuir para a redução das existências, que deverão cair abaixo do nível de 2017. Decorrente desta evolução, os preços do azeite virgem extra da UE atingiram já níveis acima da média em Espanha, Itália e Grécia.

Embora se registe uma produção de vinho acima da média da UE no período de 2020/2021, as previsões apontam para existências estáveis, impulsionadas pela recuperação do consumo interno de vinho após mínimos históricos no período de 2019/2020, pelo aumento das «outras utilizações» da produção vinificada, incluindo a destilação de crise, e pelo crescimento das exportações. Embora a produção de tomate fresco da UE continue a baixar desde 2016, a produção de tomate para transformação, impulsionada por uma forte procura e pelo reduzido volume de existências, deverá crescer 9 % em 2021.

A produção de pêssegos e de nectarinas UE atingiu um mínimo histórico pelo segundo ano consecutivo devido às condições climatéricas adversas. Em 2020, a produção da UE atingiu o seu nível mais baixo desde 2004, prevendo-se nova queda de 20 % em 2021.

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Leite e produtos lácteos

A recolha de leite da UE registou uma baixa durante a primavera, devido ao clima frio que atrasou o pico sazonal. O nível das precipitações registadas em maio deverá contribuir para a qualidade e a disponibilidade de erva nos próximos meses, conduzindo à esperada retoma (crescimento de cerca de 2 % em maio-junho) e ao aumento de cerca de 0,8 na recolha de leite da UE em 2021. O rendimento poderá aumentar a um ritmo inferior ao registado em 2020 (1,6 %) devido a um arranque lento no início do ano, enquanto o abate de bovinos poderá acelerar no final do ano e conduzir a uma redução dos efetivos leiteiros de cerca de 0,9 %.

Os preços dos produtos lácteos da UE continuam a aumentar, devido principalmente à procura chinesa, que impulsiona os preços a nível mundial. Esta procura deverá apoiar os preços do leite cru e, em certa medida, compensar o aumento dos custos dos alimentos para animais.

A produção de manteiga e de leite em pó desnatado da UE voltou a crescer após uma queda no início do ano, quando o queijo era uma das opções preferidas, juntamente com o soro de leite, produtos que registam uma forte procura para exportação. Apesar da baixa prevista no consumo da UE, a produção de leite de consumo poderá manter-se estável devido ao aumento das importações pela China.

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Produtos à base de carne

De acordo com as previsões, a produção de carne de vaca da UE deverá diminuir em 2021, devido principalmente a uma redução do efetivo bovino no setor da carne e dos produtos lácteos, combinado com uma menor procura por parte dos estabelecimentos de restauração. As exportações para mercados de elevado valor deverão continuar a aumentar graças aos recentes acordos comerciais (por exemplo, Canadá e Japão), enquanto os outros destinos registam uma ligeira descida, apesar da escassez de carne de bovino a nível mundial.

Prevê-se que a produção de carne de suíno da UE continue a aumentar em 2021, uma vez que o aumento da produção registado nalguns países da UE mais do que compensou a quebra devida à peste suína africana na Alemanha. Apesar da forte descida das exportações para o Reino Unido, as exportações globais de carne de suíno da UE deverão voltar a subir em 2021.

Dado a gripe aviária afetar os principais produtores de aves de capoeira da UE, incluindo a Polónia, a produção europeia deverá baixar em 2021. De acordo com as previsões, a procura não deverá registar um aumento acentuado com a reabertura dos estabelecimentos de restauração, devendo assistir-se a uma quebra nas exportações a nível mundial. Apesar dos preços altos, as margens estão sob pressão devido aos elevados custos dos alimentos para animais.

O mercado da carne de ovino da UE enfrenta uma forte escassez da oferta a nível interno e à escala mundial (a produção da UE mantém-se estável), o que conduz a preços relativamente altos. As exportações da Nova Zelândia são parcialmente redirecionadas para a Ásia, enfrentando ao mesmo tempo custos de transporte mais elevados. A atual situação comercial entre a UE e o Reino Unido aumenta a pressão descendente sobre as exportações e as importações.

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Dados

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Atualidade