Estatísticas do emprego

Dados extraídos em junho de 2017. Dados mais recentes: Mais informações do Eurostat, Principais quadros e Base de dados. Atualização prevista do artigo: junho de 2019.

O presente artigo apresenta dados estatísticos recentes da União Europeia (UE) sobre emprego, incluindo uma análise baseada em elementos de cariz socioeconómico: as estatísticas do emprego revelam diferenças consideráveis em função do sexo, idade e nível de instrução. Existem igualmente disparidades consideráveis entre os Estados-Membros da União Europeia no que se refere ao mercado de trabalho.

As estatísticas relativas ao mercado de trabalho estão no cerne de muitas políticas da UE, na sequência da introdução de um capítulo dedicado ao emprego no Tratado de Amesterdão, em 1997. A taxa de emprego, ou seja, a percentagem da população ativa com emprego, é considerada um indicador social fundamental para fins analíticos quando se trata de estudar a evolução dos mercados laborais.

Mapa 1: Taxa de emprego, faixa etária 20-64 anos, 2016
(%)
Fonte: Eurostat (lfsi_emp_a)
Gráfico 1: Taxa de emprego por sexo, faixa etária 20-64 anos, 1993-2016
(%)
Fonte: Eurostat (lfsi_emp_a)
Gráfico 2: Taxa de emprego por faixa etária, 1993-2016
(%)
Fonte: Eurostat (lfsi_emp_a)
Gráfico 3: Taxa de emprego por nível de instrução, faixa etária 25-64 anos, 1993-2016
(%)
Fonte: Eurostat (lfsa_ergaed)
Gráfico 4: Emprego a tempo parcial expresso em percentagem do emprego total, por sexo, faixa etária 20-64 anos, 1993-2016
(%)
Fonte: Eurostat (lfsa_eppga)
Gráfico 5: Pessoas com um segundo emprego, por nível de instrução, faixa etária 15-74 anos, 1993-2016
(em % do emprego total)
Fonte: Eurostat (lfsa_e2ged) e (lfsa_egaed)
Gráfico 6: Pessoas com emprego, por atividade profissional, faixa etária 15-74 anos, UE-28, 2016
(em % do emprego total)
Fonte: Eurostat (lfsa_esegp)
Gráfico 7: Percentagem de trabalhadores por conta de outrem com contrato de trabalho a termo, por grupo profissional, faixa etária 15-74 anos, 2016
(em % do grupo profissional)
Fonte: Eurostat (lfsa_esegt)

Principais resultados estatísticos

Taxas de emprego por sexo, idade e nível de instrução

Em 2016, a taxa de emprego da UE-28 referente a pessoas com idades compreendidas entre os 20 e os 64 anos, manteve-se, segundo o inquérito da UE ao emprego – Labour Force Survey (LFS), nos 71,1 %, a média anual mais elevada de sempre registada na UE. No entanto, esta média dissimula grandes diferenças entre os vários países (ver Mapa 1). O único Estado-Membro que regista uma taxa superior a 80 % é a Suécia (81,2 %). Este é também o caso de países da EFTA, concretamente a Islândia (87,8 %) e a Suíça (83,3 %).

O grupo de países que regista taxas da ordem dos 70% inclui o Reino Unido, a França e a Alemanha. Centra-se numa área que vai desde a Irlanda, a oeste, até à Hungria, a leste, incluindo também os três Estados bálticos, a Finlândia e Portugal. Os países que registam taxas da ordem dos 60% formam dois grupos: países da zona do Mediterrâneo Ocidental/Adriático (Espanha, Itália e Croácia) e países na fronteira oriental da UE, que vai desde o extremo sul do mar Báltico até ao extremo sudoeste do mar Negro (Polónia, Eslováquia, Roménia e Bulgária). Neste grupo de países inclui-se também a Bélgica. Por último, existe um grupo do sul dos Balcãs/Cáucaso com taxas abaixo dos 60 % (antiga República jugoslava da Macedónia, Grécia e Turquia).

O Gráfico 1 mostra a evolução da taxa de emprego de homens e mulheres desde 1993. Uma das características mais visíveis é a diminuição da diferença entre as taxas de emprego dos homens e as das mulheres. Na maior parte dos casos, esta situação resulta do aumento das taxas de emprego das mulheres (por exemplo, Espanha e Países Baixos), mas há casos em que a redução do diferencial resulta sobretudo da diminuição das taxas de emprego dos homens (Grécia e Chipre). Além disso, num grupo de países, a evolução das taxas de emprego de homens e mulheres é semelhante, originando um diferencial estável entre as taxas de emprego masculina e feminina. É o caso, por exemplo, da República Checa (com uma diferença de 19,1 pontos percentuais (pp) em 1998 e de 16,0 pp em 2016) e da Suécia (2,9 pp em 1996 e 3,8 pp em 2016). As taxas de emprego femininas são inferiores às masculinas em todos os anos e em todos os países, com duas exceções: a Letónia e a Lituânia em 2010, após uma queda abrupta das taxas masculinas e uma redução muito mais modesta das taxas femininas.

O Gráfico 1 mostra também que os países conheceram situações do mercado de trabalho muito distintas durante o período para o qual o Eurostat dispõe de dados. A maior parte dos países registou um aumento ligeiro e estável da taxa de emprego (Bélgica, Alemanha, França, Luxemburgo, Países Baixos, Áustria, Finlândia, Suécia, Reino Unido e Turquia). Outros países mantiveram-se numa trajetória invariante, com uma taxa estável (Dinamarca, Itália, Portugal, Eslovénia, Eslováquia, Noruega e Suíça). Outro grupo de países, de dimensão considerável, registou aumentos e reduções significativos, embora com uma taxa mais elevada em 2016 do que nos seus diversos pontos de partida (Bulgária, Estónia, Irlanda, Espanha, Letónia, Lituânia e Polónia).

O Gráfico 2 mostra claramente que a taxa de emprego da UE-28 referente a pessoas com idades compreendidas entre os 25 e os 54 anos manteve-se praticamente inalterada desde 2001, tendo registado um aumento muito acentuado no que diz respeito às pessoas mais velhas (55-64 anos) e uma diminuição relativamente às pessoas mais jovens (15-24 anos).

As taxas de emprego também variam consideravelmente consoante os níveis de instrução (ver Gráfico 3). As taxas analisadas por nível de instrução baseiam-se na faixa etária dos 25-64 anos, dado que as pessoas mais jovens podem ainda não ter terminado os estudos, particularmente no ensino superior, o que poderá refletir-se nas taxas de emprego. A taxa de emprego das pessoas com idades compreendidas entre os 25 e os 64 anos que completaram o ensino superior (ensino superior de ciclo curto, licenciatura ou equivalente, mestrado ou equivalente ou doutoramento ou equivalente) foi de 84,8 % na UE-28 em 2016, muito acima da verificada (54,3 %) para os que apenas completaram o ensino básico. A taxa de emprego das pessoas que completaram apenas o ensino secundário ou o ensino pós-secundário não universitário na UE-28 foi de 74,8 %. As pessoas que completaram, no máximo, o ensino básico, para além de já serem quem menos probabilidades tem de encontrar um emprego (entre os grupos analisados por nível de instrução), foram também as mais afetadas pela crise: a taxa de emprego neste grupo registou uma queda de 5,1 pontos percentuais entre 2007 e 2013, ao passo que para as pessoas com um nível de instrução médio a queda foi de 1,7 pp e de 1,8 pp para as pessoas com um nível de instrução superior. O Gráfico 3 demonstra que, a importância de ter pelo menos um nível de instrução médio para encontrar um emprego, é significativa na Bélgica, na Bulgária, na República Checa, na Lituânia, na Polónia e na Eslováquia, sendo menos considerável na Dinamarca, na Estónia, na Grécia, em Chipre e no Luxemburgo.

Trabalho a tempo parcial

A percentagem de trabalhadores da UE-28 na faixa etária dos 20-64 anos cujo principal emprego era a tempo parcial aumentou lenta mas regularmente de 14,9 % em 2002 para 19,0 % em 2015, diminuindo depois ligeiramente para 18,9 % em 2016. De longe, a percentagem mais elevada de trabalhadores a tempo parcial em 2016 verificou-se nos Países Baixos (46,6 %), seguindo-se a Áustria, a Alemanha, a Bélgica, o Reino Unido, a Suécia, a Dinamarca e a Irlanda, onde o trabalho a tempo parcial representa em cada país mais de um quinto do emprego total. Em contrapartida, o emprego a tempo parcial é relativamente pouco comum na Bulgária (1,9 % das pessoas empregadas), assim como na Hungria, na Croácia, na República Checa e na Eslováquia (entre 4,8 % e 5,7 %) — ver Gráfico 4.

A incidência do trabalho a tempo parcial (para a definição, ver «Fontes e disponibilidade de dados») difere significativamente em função do sexo. Um pouco menos de um terço das mulheres (31,4 %) na faixa dos 20-64 anos com emprego na UE-28 trabalhava a tempo parcial em 2016, o que representa uma percentagem muito mais elevada do que a dos homens (8,2 %). Quase três quartos (74,8 %) das mulheres com emprego nos Países Baixos trabalhavam a tempo parcial em 2016, o que representa de longe a percentagem mais elevada de todos os Estados-Membros da UE. O trabalho a tempo parcial aumentou de forma notória entre 1993 e 2016 na Alemanha, na Irlanda, na Itália e na Áustria, tendo registado uma redução acentuada na Islândia.

Pessoas com mais do que um emprego

O Gráfico 5 mostra que a percentagem de pessoas com mais do que um emprego é reduzida e que as pessoas com um nível de instrução elevado têm mais probabilidades de ter um segundo emprego do que as pessoas com um nível de instrução médio ou baixo. No que diz respeito à UE-28, esta situação manteve-se bastante estável durante todos os anos em relação aos quais existem dados disponíveis (2002-2016), situando-se em cerca de 5 % entre as pessoas com um nível de instrução elevado e em cerca de 3 % entre os outros dois grupos. O nível mais elevado registado entre os Estados-Membros é de 16,3 % (pessoas com elevado nível de instrução na Polónia em 2000) e o mais baixo é de 0,3 % (nível de instrução médio, Bulgária, 2010-2016). A Dinamarca, a Estónia, a Letónia, os Países Baixos, Portugal, a Suécia, a Islândia e a Noruega figuram entre os países onde é relativamente comum ter um segundo emprego.

Profissões

O grupo de profissões claramente mais numeroso na UE-28 em 2016 é o grupo dos trabalhadores dos serviços pessoais e vendas, representando 9,5 % da força de trabalho, ou 21,4 milhões de pessoas (ver Gráfico 6). Este grupo é superior ao conjunto dos oito grupos de profissões mais pequenos, que incluem, nomeadamente, todos os trabalhadores agrícolas, os trabalhadores da transformação de alimentos e os membros das forças armadas. O grupo dos trabalhadores dos serviços e vendas é seguido pelo grupo dos funcionários de escritório, seguido, por sua vez, pelo grupo dos profissionais de nível intermédio da área empresarial e administrativa.

Contratos a termo

Em 2016, a percentagem de trabalhadores na faixa etária dos 15-74 anos na UE-28 com um contrato de duração limitada (contrato a termo) era de 14,2 %. Mais de um em cada cinco trabalhadores na Polónia (27,5 %), em Espanha (26,3 %), na Croácia e em Portugal (ambos com 22,3 %) e nos Países Baixos (20,8 %) trabalhava com contratos temporários (ver Gráfico 7). Nos restantes Estados-Membros da UE-28, a percentagem de trabalhadores com contratos a termo variava entre 71,0 % na Eslovénia e 1,4 % na Roménia. Para além das diferenças entre os países, é possível observar um padrão nas diferenças entre as profissões. Na maior parte dos países, os gestores têm menos probabilidades de ter contratos a termo, contrariamente ao que acontece com os trabalhadores de estatuto inferior. No entanto, os níveis diferem consideravelmente: na Polónia, 44,1 % dos trabalhadores de estatuto inferior estão nesta situação, ao passo que o número correspondente na Roménia é de apenas 3,2 %. A propensão para o recurso aos contratos a termo varia consideravelmente entre os Estados-Membros da UE, o que, pelo menos em certa medida, reflete práticas nacionais, oferta e procura de trabalho, perspetivas patronais relativamente a potencialidades de crescimento/contração e a facilidade com que se pode contratar e despedir trabalhadores.

Fontes e disponibilidade de dados

Cobertura

A população ativa (força de trabalho) inclui pessoas empregadas e desempregadas. O LFS define as pessoas com emprego como sendo os indivíduos com 15 anos ou mais que, durante a semana de referência, trabalharam pelo menos uma hora por semana a troco de uma remuneração ou com vista a um benefício ou ganho familiar. A força de trabalho inclui também pessoas que não se encontravam a trabalhar, mas que tinham um emprego ou uma atividade por conta própria de que estavam temporariamente ausentes, por exemplo, por motivos de doença, férias, conflito laboral, ensino ou formação.

O emprego pode ser medido em termos de número de pessoas ou de empregos em equivalente a tempo completo ou em horas trabalhadas. Todas as estimativas apresentadas neste artigo utilizam o número de pessoas; a informação apresentada relativamente às taxas de emprego também assenta em estimativas do número de pessoas. As estatísticas do emprego são geralmente expressas em taxas de emprego, a fim de neutralizar as diferentes realidades demográficas ao longo do tempo e facilitar as comparações entre países de dimensões diferentes. Estas taxas referem-se habitualmente à população ativa, geralmente considerada como constituída por todos os indivíduos com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos, ainda que a Espanha, o Reino Unido e a Islândia utilizem a faixa etária dos 16-64 anos. A faixa etária dos 15-64 anos corresponde também à norma utilizada por outras organizações estatísticas internacionais (embora alguns decisores políticos atribuam cada vez mais importância à faixa etária dos 20-64 anos, dado que uma percentagem crescente da população da UE prossegue os seus estudos no ensino superior).

Principais conceitos

Entre as principais características do emprego, nos termos do LFS, contam-se as seguintes:

  • os trabalhadores por conta de outrem são os indivíduos que trabalham para um empregador público ou privado e que recebem uma compensação sob a forma de ordenados, salários, pagamentos à peça ou em espécie; estão incluídos também os membros não profissionais das forças armadas;
  • os trabalhadores por conta própria exercem a respetiva atividade em empresas, explorações agrícolas ou consultórios próprios. Um trabalhador por conta própria é considerado como estando a trabalhar durante a semana de referência se cumprir um dos seguintes critérios: trabalha com o propósito de auferir lucro; dedica o seu tempo a uma atividade profissional ou a um negócio; ou encontra-se atualmente a lançar uma empresa;
  • a distinção entre trabalho a tempo completo e trabalho a tempo parcial baseia-se geralmente numa resposta espontânea do inquirido. As principais exceções verificam-se nos Países Baixos e na Islândia, onde se aplica um limiar de 35 horas, na Suécia, onde se aplica um limiar ao trabalhador por conta própria, e na Noruega, onde as pessoas que trabalham entre 32 e 36 horas são questionadas se se trata de uma posição a tempo completo ou a tempo parcial;
  • os indicadores para as pessoas com um segundo emprego referem-se apenas a pessoas com mais do que um emprego em simultâneo; as pessoas que mudaram de emprego durante a semana de referência não são contabilizadas como tendo dois empregos;
  • considera-se que um indivíduo empregado tem um emprego temporário se o empregador ou o empregado concordar em que o termo do emprego em questão é determinado por condições objetivas, tais como uma data específica, a conclusão de uma tarefa ou o regresso de um trabalhador que foi temporariamente substituído. São casos típicos: pessoas com emprego sazonal; pessoas recrutadas por uma agência ou uma bolsa de emprego e contratadas por uma entidade terceira para o cumprimento de uma tarefa específica (a menos que haja um contrato de trabalho escrito, de duração ilimitada); pessoas com contratos de formação específicos.

Conjuntos de dados

A maior parte dos indicadores apresentados neste artigo são provenientes de conjuntos de dados que integram os principais indicadores do Labour Force Survey (conjuntos de dados cujas letras iniciais são lfsi). Estes indicadores diferem dos conjuntos de dados que incluem os resultados pormenorizados do inquérito numa base anual e trimestral (conjuntos de dados cujas letras iniciais são lfsa e lfsq), na medida em que os resultados pormenorizados do inquérito são baseados exclusivamente em microdados do Labour Force Survey, ao passo que os indicadores principais foram sujeitos a um tratamento suplementar. Os ajustamentos suplementares mais comuns são correções das principais interrupções das séries e no cálculo dos valores em falta. Estes ajustamentos produzem diferenças consideráveis entre os dois conjuntos de dados desde há alguns anos.

Os conjuntos de dados dos principais indicadores do Labour Force Survey constituem a mais completa e fiável compilação de dados sobre o emprego e o desemprego disponibilizados pelo inquérito. No entanto, uma vez que não apresentam uma análise de todas as variáveis contextuais, é necessário, em certos casos, utilizar os resultados pormenorizados do inquérito, como se faz neste artigo em relação aos dados constantes do Gráfico 3 e de parte do Gráfico 4.

Contexto

As estatísticas do emprego podem ser utilizadas para vários tipos de análises, incluindo as de índole macroeconómica (ou seja, analisar o trabalho como fator de produção), bem como para estudar a produtividade ou a competitividade. Também podem ser utilizadas para estudar toda uma gama de aspetos sociais e comportamentais relacionados com a situação individual no emprego, como a integração social das minorias ou o emprego como fonte de rendimento das famílias.

O emprego é simultaneamente um indicador estrutural e um indicador de curto prazo. Enquanto indicador estrutural, pode fazer luz sobre a estrutura dos mercados de trabalho e os sistemas económicos, medidos pelo equilíbrio entre a oferta e a procura de mão-de-obra ou a qualidade do emprego. Enquanto indicador de curto prazo, o emprego segue o ciclo empresarial; no entanto, tem limites neste contexto, já que o emprego é frequentemente referido como um indicador desfasado.

As estatísticas do emprego estão no cerne de muitas políticas da UE. A Estratégia Europeia de Emprego foi lançada na Cimeira do Emprego no Luxemburgo em novembro de 1997 e revista em 2005 a fim de alinhar a estratégia de emprego da UE com um conjunto de objetivos de Lisboa revistos, enquanto em julho de 2008 foram atualizadas as orientações para as políticas de emprego para o período de 2008 a 2010. Em março de 2010, a Comissão Europeia lançou a Estratégia Europa 2020 para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo; esta estratégia foi aprovada pelo Conselho Europeu em junho de 2010. O Conselho Europeu chegou a acordo sobre cinco metas estratégicas, sendo a primeira a de aumentar a taxa de emprego das mulheres e dos homens na faixa etária dos 20-64 para 75 % até 2020. Os Estados-Membros podem fixar as suas próprias metas nacionais à luz destas orientações e elaborar os seus próprios programas de reforma, os quais comportam ações para concretizar os objetivos da estratégia. A implementação da estratégia poderia ser conseguida, pelo menos em parte, através da promoção de condições de trabalho flexíveis — por exemplo, trabalho a tempo parcial ou trabalho a partir do domicílio — concebidas para fomentar a participação na atividade económica. Entre as outras iniciativas que podem incentivar mais pessoas a ingressar no mercado de trabalho incluem-se a melhoria da disponibilidade de estruturas de acolhimento de crianças, a criação de mais oportunidades de aprendizagem ao longo da vida ou as medidas para facilitar a mobilidade profissional. Neste contexto, reveste grande importância a problemática da flexisegurança, definida como um conjunto de políticas que incidem simultaneamente na flexibilidade dos mercados de trabalho, na organização do trabalho e nas relações laborais, ao mesmo tempo que atendem à conciliação da vida profissional e privada, à segurança do emprego e à proteção social. Em linha com a estratégia Europa 2020, a Estratégia Europeia de Emprego incentiva a tomada de medidas para ajudar a cumprir três grandes objetivos até 2020, designadamente:

  • 75 % das pessoas na faixa etária dos 20 aos 64 anos com emprego;
  • redução do abandono escolar precoce para menos de 10 % e levar a 40 %, pelo menos, a percentagem de pessoas na faixa dos 30-34 anos com o ensino superior concluído;
  • reduzir em pelo menos 20 milhões o número de pessoas em risco de pobreza e exclusão social.

O ritmo lento da saída da crise económica e financeira e os indícios de subida do desemprego levaram a Comissão Europeia a apresentar, em 18 de abril de 2012, um conjunto de propostas de medidas para fomentar a criação de postos de trabalho através de um pacote específico dedicado ao emprego. Estas propostas, entre outras, incidiram no lado da procura da criação de emprego, definindo formas de os Estados-Membros da UE incentivarem a contratação, através da redução da carga fiscal sobre o trabalho ou de apoio à criação de novas empresas. Visaram também identificar domínios de atividade económica com potencialidades de criação de emprego, tais como a economia verde, os serviços de saúde e as tecnologias de informação e comunicação.

Em dezembro de 2012, face ao elevado e crescente desemprego juvenil em vários Estados-Membros da UE, a Comissão Europeia propôs um Pacote de medidas dedicado ao emprego jovem (COM(2012) 727 final). Este pacote deu seguimento às ações destinadas aos jovens, já previstas no pacote geral do emprego, e consubstanciou um conjunto de propostas, designadamente as seguintes:

  • medidas para que todos os jovens até aos 25 anos beneficiem de uma boa oferta de emprego, formação contínua, oportunidades de aprendizagem ou de um estágio no prazo de quatro meses após terem saído do ensino formal ou terem ficado desempregados (uma garantia para a juventude);
  • uma consulta dos parceiros sociais europeus sobre um quadro de qualidade para estágios para proporcionar aos jovens a aquisição de experiências de trabalho de elevada qualidade em condições de segurança;
  • uma aliança europeia para aprendizagem a fim de melhorar a qualidade e as oportunidades de aprendizagem disponíveis, bem como estabelecer formas para reduzir os obstáculos à mobilidade dos jovens.

Os esforços para reduzir o desemprego jovem continuaram em 2013, com a Comissão Europeia a apresentar uma Iniciativa para o Emprego dos Jovens (COM(2013) 144 final) destinada a reforçar e a acelerar as medidas estabelecidas no Pacote para o Emprego Jovem. Visava apoiar, em especial, os jovens que não estudam, não trabalham e não seguem qualquer formação em regiões onde a taxa de desemprego dos jovens é superior a 25 %. Seguiu-se uma outra comunicação intitulada «Trabalhar juntos para os jovens europeus — Apelo à ação contra o desemprego dos jovens» (COM(2013) 447 final) destinada a acelerar a implementação da garantia para a juventude e ajudar os Estados-Membros da UE e as empresas para que possam recrutar mais jovens.

Uma das principais prioridades do Colégio de Comissários que tomou posse em 2014 era centrar-se na promoção do emprego, do crescimento e do investimento, com o objetivo de diminuir a regulamentação e utilizar de forma mais inteligente os recursos financeiros e os fundos públicos existentes. Em fevereiro de 2015, a Comissão Europeia publicou uma série de relatórios por país que analisam as políticas económicas dos Estados-Membros da UE e fornecem informações sobre as prioridades dos Estados-Membros da UE para o ano seguinte para estimular o crescimento e a criação de emprego. No mesmo mês, a Comissão Europeia propôs também disponibilizar mil milhões de EUR da Iniciativa para o Emprego dos Jovens em 2015, de modo a aumentar até 30 vezes o pré-financiamento que os Estados-Membros poderiam receber para impulsionar as taxas de emprego dos jovens, com o intuito de colocar até 650 000 jovens em situação de emprego.

Em junho de 2016, a Comissão Europeia adotou uma Agenda de Competências para a Europa (COM(2016) 381/2) sob o título «Trabalhar em conjunto para reforçar o capital humano, a empregabilidade e a competitividade». Esta agenda tem por objetivo assegurar que as pessoas desenvolvem as competências necessárias, no presente e no futuro, para melhorar a empregabilidade, a competitividade e o crescimento em toda a UE.

Ver também

Mais informações do Eurostat

Publicações

Principais quadros

LFS main indicators (t_lfsi)
Population, activity and inactivity - LFS adjusted series (t_lfsi_act)
Employment - LFS adjusted series (t_lfsi_emp)
Unemployment - LFS adjusted series (t_une)
LFS series - Detailed annual survey results (t_lfsa)
LFS series - Specific topics (t_lfst)

Base de dados

LFS main indicators (lfsi)
Employment and activity - LFS adjusted series (lfsi_emp)
Unemployment - LFS adjusted series (une)
Labour market transitions - LFS longitudinal data (lfsi_long)
LFS series - Detailed quarterly survey results (from 1998 onwards) (lfsq)
LFS series - Detailed annual survey results (lfsa)
LFS series - Specific topics (lfst)
LFS ad-hoc modules (lfso)
2014. Migration and labour market (lfso_14)
2013. Accidents at work and other work-related health problems (lfso_13)
2012. Transition from work to retirement (lfso_12)
2011. Access to labour markets for disabled people (lfso_12)
2010. Reconciliation between work and family life (lfso_10)
2009. Entry of young people into the labour market (lfso_09)
2008. Labour market situation of migrants (lfso_08)
2007. Work related accidents, health problems and hazardous exposure (lfs_07)
2006. Transition from work into retirement (lfso_06)
2005. Reconciliation between work and family life (lfso_05)
2004. Work organisation and working time arrangements (lfso_04)
2003. Lifelong learning (lfso_03)
2002. Employment of disabled persons (lfso_02)
2000. Transition from school to working life (lfso_00)

Secção especial

Metodologia / Metainformação

Publicações

Ficheiros de metadados ESMS e metodologia IFT UE

Fonte dos dados para os quadros e os gráficos (MS Excel)

Ligações externas