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Ser bioengenheiro em Espanha, a coisa mais natural do mundo

Em 2003, Stephen, na altura apenas com 25 anos, encontrava-se na fase final do seu programa de doutoramento em biotecnologia na Universidade Queen’s de Belfast. Uma vez que redigir uma tese de doutoramento não constituía para ele desafio suficiente, decidiu que podia tirar partido da flexibilidade oferecida pelo seu programa de estudos, assumindo uma actividade profissional a tempo inteiro e aprendendo outra língua. Trata-se de uma decisão certamente muito corajosa – mas Stephen não enfrentou o processo sozinho.

Dado que desde sempre tinha sentido uma afinidade por Espanha, inscreveu-se no EURES com o objectivo de procurar emprego neste país da zona do Mediterrâneo. “Não tinha a mínima ideia de onde começar, por isso comecei por fazer alguma pesquisa na Internet. Em pouco tempo, descobri o EURES, e rapidamente encontrei uma empresa, a Biosensores, que estava à procura de um especialista em biotecnologia”, relembra Stephen. Stephen acreditava que possuía as competências para o lugar, por isso não perdeu tempo a entrar em contacto com Isabel García Hernández, a conselheira EURES responsável, para saber mais pormenores sobre esta oferta de trabalho.

“A Isabel foi muito prestável durante todo o processo de candidatura. Depois de a ter contactado, enviou o meu CV para a Biosensores e acabei por ser convidado para uma entrevista. Deu-me bastante informação sobre aquela oferta de emprego. Também me deu muitos conselhos sobre a vida e o mundo do trabalho em Espanha, e mais especificamente na região de Valencia, onde a empresa estava situada.”

É igualmente muito importante estar preparado para o facto de a vida no estrangeiro poder ser mais exigente – mas também mais gratificante – que uma viagem de curto prazo. “A Isabel deixou bem claro que a Espanha não deve ser vista só como um destino de férias; há diferenças culturais de que é preciso ter consciência. Ajudou-me realmente a tomar uma decisão informada sobre se devia ou não ir viver para lá.”

Quando Stephen chegou a Espanha, encontrou realmente o desafio de que andava à procura. Tendo estudado espanhol durante seis meses, as suas competências da língua eram básicas. Contudo, uma vez que precisava do espanhol para o trabalho, sabia que tinha de melhorar o seu nível rapidamente.

No que diz respeito ao âmbito científico do seu trabalho, Stephen foi brindado com uma experiência igualmente desafiadora: para além de redigir artigos científicos em inglês, teve a oportunidade de participar em projectos de bioengenharia de grande complexidade, como o próprio relembra: “Graças ao meu doutoramento, posso dizer que possuía bons conhecimentos e experiência na área da biotecnologia, mas na Biosensores desenvolvíamos actividades altamente sofisticadas: por exemplo, uma das coisas que fizemos foi alterar bactérias geneticamente, de modo a poder usá-las para detectar a poluição na água.

Escrever a tese também se transformou num desafio muito maior em Espanha do que havia sido em Belfast: uma vez que os colegas insistiam regularmente em ir beber umas cervezas depois do trabalho, Stephen apercebeu-se de que o seu plano para redigir a tese no tempo livre teria de sofrer alguns ajustamentos.

Quanto mais aprendia sobre a cultura espanhola, mais crescia a sua paixão pelo país e pelas pessoas. “Os meus colegas espanhóis são pessoas excelentes. Nunca esquecerei quando me convidaram para ir pela primeira vez às Fallas de Valencia, que são grandes festividades que duram vários dias. O melhor de tudo foi que não me limitei a ser só um turista que assistiu ao festival – participei realmente nas Fallas. Ajudei os meus amigos a prepararem os pratos tradicionais e participei nas festas do princípio ao fim. Senti-me como se também fosse dali. Valeu realmente a pena descobrir a cultura espanhola a fundo e não ficar pelas impressões que recebemos quando somos turistas; a cultura espanhola tem muito para oferecer.”

Quando a colocação de Stephen na Biosensores chegou ao fim, este gostava tanto da sua nova vida que quis ficar em Espanha. Mudou-se com a noiva para Toledo, onde deu aulas de inglês, e só passados seis meses seguiu a noiva de volta para Belfast e aceitou um lugar como professor no Metroplitan College de Belfast.

Agora com 31 anos, Stephen afirma que “o sonho de voltar ainda o mantém acordado à noite”, e tem vindo a planear o seu regresso a Espanha de há alguns anos a esta parte. Paralelamente ao seu trabalho como professor no Metroplitan College de Belfast, fez formação para poder leccionar em escolas secundárias. Está determinado a ser professor de biologia em Espanha e reatou o seu contacto com Isabel para encontrar um novo emprego: “Ainda não sou capaz de dizer quando encontrarei um trabalho em Espanha, mas tenho a certeza de que é só uma questão de tempo até voltar para lá!”

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