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Do princípio à Fin…lândia: Quando a idade e a experiência são uma vantagem

Procurar emprego no país de origem aos 40 anos pode ser muitas vezes uma tarefa difícil. Por isso, porque não dar um passo em frente, ampliar a procura e começar a procurar um emprego no estrangeiro? Apostar numa aventura deste tipo poderá garantir um futuro melhor para a família, oferecer oportunidades múltiplas de pôr em prática as competências num ambiente de trabalho novo, ao mesmo tempo que permite expandir os horizontes tanto ao nível pessoal como cultural. Foi esta a conclusão a que chegou Mirosław Koziołek quando decidiu deixar a sua Polónia natal para ir para a Finlândia, permitindo-lhe assim ajudar os seus filhos a prosseguir com os seus estudos.

“Na Finlândia, a taxa de emprego verificou um crescimento excepcional durante o período de 2006-2007 o que provocou uma escassez de mão-de-obra elevada em alguns sectores da indústria, construção e serviços”, afirma Hanna Luoma, responsável pela informação do Serviço Público de Emprego da Finlândia. Tendo em conta que este país escandinavo conta com uma das densidades populacionais mais baixas da Europa, é fácil compreender porque é que algumas empresas encontram dificuldades em encontrar e recrutar pessoal novo.

Sorvaamo Ruuska Oy é uma empresa finlandesa activa no sector da indústria metalomecânica, localizada no município de Leivonmäki, com uma densidade populacional de apenas 2,8 habitantes por metro quadrado, ou seja, 40 vezes abaixo da média europeia de 112 habitantes por km2. Após várias tentativas infrutíferas de recrutar pessoal na Finlândia, a empresa decidiu extender a procura além fronteiras, com o objectivo de, e com a ajuda da rede EURES, encontrar no estrangeiro candidatos a emprego experientes.

Simultaneamente, um metalomecânico polaco de 44 anos, Mirosław Koziołek, natural de Rybarzowice, decidiu procurar emprego no estrangeiro para ajudar financeiramente a sua família. Encontrando-se desempregado, após ter trabalhado durante um curto espaço de tempo no sul de Itália, Mirosław contactou o Serviço EURES na Polónia para explorar as oportunidades de emprego disponíveis no estrangeiro. Foi através da EURES que tomou conhecimento de várias oportunidades de emprego na Finlândia, o que o levou a tentar a sua sorte. “Pensei que a minha idade pudesse constituir uma desvantagem, para além de não falar finlandês. No entanto, esta era a única opção disponível na altura e não quis perder esta oportunidade”, recorda Mirosław. Na Finlândia, a conselheira EURES Mari Turunen recebeu a sua candidatura e enviou-a à Sorvaamo Ruuska Oy que procurava na altura pessoal com um perfil similar. “Quando Ruuska, o meu futuro empregador, teve conhecimento através da EURES de que um candidato a emprego polaco estava interessado na sua empresa, contactou o seu vizinho polaco para ajudá-lo a comunicar comigo. Em apenas algumas semanas aceitei o emprego, apanhei um avião para a Finlândia e ao chegar encontrei os dois à minha espera”, explica Mirosław, expressando a sua gratidão ao Sr. Ruuska pelo seu apoio e por ter depositado confiança em si.

“No início tivemos receio dos eventuais problemas de comunicação que pudessem surgir no seio da equipa, o que nos levou a manter o contacto com ele e o seu empregador. Mas logo constatámos, com grande satisfação, a excelente integração de Mirosław que até recorreu, numa fase inicial, à linguagem por sinais para poder comunicar com os seus colegas” comenta Hanna Luoma.

“Comecei a frequentar aulas de finlandês, e os meus colegas fazem o seu melhor para ajudar-me a progredir no domínio da língua. Foi graças a eles e ao Sr. Ruuska que tive a oportunidade de descobrir mais sobre a Finlândia durante as nossas sessões regulares de pesca e sauna” comenta Mirosław, cheio de entusiasmo. “Estou muito contente com a escolha que fiz de vir para aqui e o meu sonho agora é poder receber a visita da minha família. A minha filha estuda medicina na Polónia e o meu filho frequenta ainda a escola secundária. Eles gostariam de continuar os seus estudos na Polónia e eu farei o meu melhor para ajudá-los.”

Uma vez alcançados estes objectivos, Mirosław pretende regressar à Polónia. Mas é certo que levará um pouco da Finlândia consigo: “Agora já não poderia viver sem a sauna e terei absolutamente de construir uma em minha casa uma vez de volta à Polónia,” afirma após decorridos apenas alguns meses na Finlândia.

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