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Managing Mobility Matters 2006

No quadro do Ano Europeu da Mobilidade dos Trabalhadores 2006, a PricewaterhouseCoopers (PwC) realizou, junto dos empregadores, um inquérito geral sobre a questão da mobilidade dos trabalhadores na Europa. O estudo é uma actualização dos resultados do relatório Managing Mobility Matters (Gerir as questões de mobilidade) publicado em 2001.

Mobilidade não produz os resultados esperados

Em 2001, o inquérito mostrou que os representantes empresariais eram, na sua globalidade, muito favoráveis à ideia de mobilidade. Esperavam, então, assistir a um aumento da mobilidade dos trabalhadores e, consequentemente, da oferta de mão‑de‑obra estrangeira qualificada e competente para colmatar as crescentes carências de competências. Passados cinco anos, essa expectativa está longe de se ter tornado uma realidade, apesar de as condições prévias continuarem a estar reunidas.

A PwC apresenta um conjunto de medidas necessárias que deverão adoptar os empregadores e os legisladores para verem concretizadas essas expectativas. Em particular, há que superar a actual falta de informação sobre oportunidades de emprego e dar aos potenciais trabalhadores móveis uma imagem mais positiva das possibilidades indubitáveis que a mobilidade lhes pode oferecer.

Níveis de mobilidade mantêm-se baixos

Salvo raras excepções, os níveis de mobilidade na UE mantiveram‑se relativamente baixos desde 2001. Além disso, embora cerca de um terço das empresas inquiridas refiram receber pedidos de emprego provenientes de outros países da UE, este tipo de pedidos representa menos de 5% do total dos pedidos de emprego. A variedade dos tipos de mobilidade impulsionada simultaneamente pelos empregadores e pelos empregados é, no entanto, notável.

A PwC considera existir uma clara necessidade de um maior grau de informação sobre os níveis de mobilidade dos diferentes tipos de trabalhadores, recomendando, por esse motivo, uma intensificação da monitorização da mobilidade a nível da UE através de inquéritos e outros meios adequados. Além disso, será necessário fornecer às partes interessadas informação e orientações mais bem adaptadas às suas necessidades.

Factores económicos tornam‑se impulsionadores da mobilidade

Desde 2001, a disponibilidade de mão-de-obra deixou de ser a principal condicionante da actividade empresarial, tendo sido substituída pelas novas necessidades dos clientes, a competitividade e os custos com pessoal. Perante estas novas circunstâncias, as empresas têm tendência a utilizar mais a mão‑de‑obra existente do que a utilizar trabalhadores móveis ou a recrutar noutros Estados‑Membros da UE.

Para os indivíduos, por outro lado, o desejo de aumentar o nível dos rendimentos e de beneficiar de melhores condições de trabalho são, a seguir ao desejo de descobrir um novo ambiente, o segundo principal factor impulsionador de mobilidade. Por conseguinte, no caso das empresas como no dos indivíduos, a mobilidade é determinada, actualmente, por factores económicos.

Tendo em conta estes factos, é evidente que é por demais necessário proporcionar tanto às empresas como aos indivíduos mais e melhor informação sobre as vantagens da mobilidade.

Barreiras sustentadas em diversas áreas

Embora o recrutamento de trabalhadores estrangeiros seja mais fácil do que em 2001, as empresas continuam preocupadas com as barreiras causadas pela existência de diferentes regimes fiscais e pela a falta de uma legislação laboral integrada aplicável em toda da UE. Os níveis de remuneração diferentes e os custos da deslocalização têm emergido como obstáculos às empresas que desejam recolocar pessoal noutro país.

Enquanto que as empresas acreditam que as competências linguísticas e as oportunidades de emprego para o cônjuge constituem os dois maiores obstáculos à mobilidade individual, para os indivíduos, os principais motivos de preocupação são a perda das redes sociais e do apoio da família e dos amigos. Outras preocupações são o alojamento e as prestações de cuidados de saúde e, na mesma ordem de importância, o dever aprender uma nova língua.

É claramente necessário compreender melhor os obstáculos à mobilidade, combater esses obstáculos da forma adequada e ajustar as políticas subjacentes. Há também que adaptar as acções de apoio à mobilidade às necessidades específicas dos Estados-Membros.

Prevista procura acrescida de mobilidade no futuro

Fazendo abstracção da situação actual, uma clara maioria de empregadores está convencida de que no futuro próximo haverá uma procura acrescida de mobilidade. Essa previsão é contrariada, no entanto, pela ideia que as pessoas têm de que a mobilidade não é positiva nem para o mercado de trabalho nem do ponto de vista familiar.

Este desfasamento de expectativas pode ser superado através do desenvolvimento das chamadas políticas “local plus” para os trabalhadores móveis. Os empregadores devem abordar o conjunto das questões dos impostos, reforma, segurança social e prestação de cuidados de saúde específicas de cada país para minimizar eventuais impactos indesejados e atenuar as barreiras à mobilidade.

Necessária cooperação tripartida

A PwC sublinha a necessidade de uma cooperação entre empregadores, a UE e os legisladores.

  • As potenciais fontes de mão-de-obra móvel, bem como os factores impulsionadores e as barreiras à mobilidade profissional devem ser mais bem identificados e compreendidos.
  • A comunicação das oportunidades de emprego deve ser melhorada e as vantagens da mobilidade devem ser promovidas, nomeadamente através da sensibilização para os centros de emprego da UE como o EURES.
  • Os trabalhadores devem ser dotadas das competências‑chave (incluindo conhecimentos linguísticos) no país de acolhimento.
  • Os empregadores devem utilizar as redes internas e internas para aumentar a sensibilização para as oportunidades de emprego.

A versão integral do relatório pode ser descarregada no website da PricewaterhouseCoopers. Para mais informações, contacte Andrew Smith (andrew.x.smith@uk.pwc.com).

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