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Cooperação além-mar - o exemplo Helsínquia-Tallin

As capitais da Finlândia e da Estónia encontram-se indiscutivelmente próximas, quer geográfica quer culturalmente. Separadas por uma faixa marítima de cerca de 80 quilómetros do Golfo da Finlândia, um residente em Tallin não necessita de mais de uma hora e meia em «ferry» para chegar à vizinha «Helsínquia». Tal poderia comprovar a existência de fortes laços e constantes intercâmbios entre ambas as cidades.

A aproximação espacial, cultural, histórica e linguística constitui um grande incentivo para a cooperação económico-social e, eventualmente, um estímulo à transformação da área numa região funcional. Pertencendo ao mesmo grupo ugro-fínico, a língua finlandesa e estónia são muito próximas com cerca de 60% de palavras similares. Além disso, Helsíquia e Tallin têm fortes laços económicos – ambas as cidades foram fundadas pelos suecos e pertenceram outrora à Liga Hanseática.

No entanto, durante os 50 anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, as relações entre as duas regiões sofreram um abalo provocado pelo regime comunista soviético, o que causou o isolamento também da Estónia em relação à Europa Ocidental. Apenas em 1991, após a Estónia ter declarado a sua independência, a parceria outrora em florescimento testemunhou uma reaproximação. O alargamento da UE em 2004 acabou por estar na origem de uma ainda mais forte dinâmica e da criação de grandes oportunidades não só na cooperação estónio-finlandesa como em toda a Região do Mar Báltico.

As capitais enquanto motores económicos para a cooperação

A crescente cooperação económico-cultural transfronteiriça entre Helsínquia e Tallin é sustentada pelo papel de liderança que as duas capitais assumem no desenvolvimento económico-social dos respectivos países e por uma série de factores complementares.

Helsínquia constitui um importante centro comercial e financeiro, com um grande desenvolvimento do turismo e da cultura. A força motriz do crescimento económico da região é o grupo industrial de altas tecnologias da informação, liderado pela «Nokia». A região de Tallin (distrito de Harju) desempenha um papel fundamental na economia estónia e atrai entre 80 a 90% de investimentos directos no país.

A Finlândia tem participado de forma activa na reconstrução, com êxito, da economia da Estónia, e é hoje o segundo maior investidor na região do Báltico. Enquanto que a maioria dos investimentos finlandeses são conduzidos para a região de Harju,   apenas algumas empresas estónias entraram na Finlândia, facto que se deve essencialmente à falta de capital e à saturação actualmente existente do mercado finlandês.

Um estímulo ao fluxo de trabalhadores transfronteiriços

A Estónia, tal como muitos outros novos Estados-Membros, conta com um elevado nível de capital humano. A Estónia está a verificar um rápido desenvolvimento da sua economia, com um crescimento constante das taxas de emprego e uma diminuição do desemprego, que se deve em larga medida à enorme percentagem de mão-de-obra que se desloca para o estrangeiro. Paralelamente, existe um nível elevado de pessoas inactivas e de desemprego de jovens.

A situação do mercado de trabalho finlandês é bastante diverso devido à falta de mão-de-obra em determinados sectores (construção, indústria, serviços). A região de Helsínquia sofre de uma taxa relativamente elevada de desemprego ao mesmo tempo que regista uma falta de mão-de-obra devido à aposentação da geração do «baby boom». O debate sobre a possibilidade de colmatar as lacunas existentes em matéria de mão-de-obra com a entrada de trabalhadores estrangeiros tem conduzido à abertura do mercado de trabalho finlandês aos cidadãos dos novos Estados-Membros.

O mercado de trabalho finlandês está actualmente aberto a trabalhadores estónios. A aproximação cultural, linguística e geográfica facilita o respectivo emprego, bem como a adaptação à Finlândia, enquanto que os trabalhadores finlandeses, pelas mesmas razões, preferem os estónios a outros trabalhadores. Estes factores têm contribuído para uma intensificação do fluxo de trabalhadores para a Finlândia, fazendo dos estónios a segunda maior força de trabalho estrangeira no país a seguir aos russos. Esta constitui uma base sólida para a criação de um serviço comum de mão-de-obra entre os dois países vizinhos.

O desenvolvimento da cooperação transfronteiriça

As primeiras tentativas para promover a cooperação transfronteiriça entre as capitais da Finlândia e da Estónia foram realizadas em 1991 com o conceito das Cidades Geminadas e, em 1999, com a parceria «EUREGIO Helsinki-Tallinn».

A cooperação EURES teve início em 2003, enquanto que a cooperação transfronteiriça foi lançada em Maio de 2004. Esta cooperação foi seguida de uma série de mesas redondas, de manifestações de recrutamento e de informação, de viagens de estudo e de formações comuns.

As consequências destas e de outras iniciativas foram a intensificação das relações entre as duas cidades e a forte motivação de ambas as partes em manter as actividades de colaboração. Existe um elevado potencial de criar um projecto de cidade geminada, tendo em conta as  complementaridades das suas actividades económicas e sociais.

Principais desafios

Os principais desafios para a criação de uma parceria transfronteiriça total assentam na necessidade de facilitar as infra-estruturas relativas ao transporte, harmonizar os vários níveis salariais e os custos de mão-de-obra, e atenuar as divergências em matéria de legislação laboral e o papel dos sindicatos. Há ainda a acrescentar que tem havido de ambas as partes um interesse e nível de participação reduzidos por parte dos parceiros sociais, bem como um número relativamente limitado de recursos humanos disponíveis em cada um dos dois países.

Conclusões

Apesar dos problemas acima mencionados, a proximidade linguística e cultural e os laços históricos e económicos entre os dois países constituem grandes incentivos para a cooperação entre Helsínquia e Tallin. A deslocação entre as duas regiões está cada vez mais facilitada graças a uma redução constante dos custos dos transportes. Os estudos realizados têm demonstrado que as regiões de Uusimaa (Helsínquia) e Harju (Tallin) formam já uma área económica largamente integrada, onde foram criadas sólidas sinergias em vários sectores. A criação de um serviço comum de mão-de-obra entre os países é apenas uma questão de tempo. Esta evolução positiva é mais do que bem-vinda e os serviços públicos de emprego em ambos os países estão aptos a reforçar as respectivas parcerias e a prestar apoio a esta mobilidade única no Norte da Europa.

Mais informações:

Euregio Helsinki-Tallinn

Alice Lugna, EURES Manager Estonia - alice.lugna@tta.ee
Tiina Oinonen, EURES Manager Finland - tiina.oinonen@mol.fi

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