Informações sobre o Mercado de Trabalho

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Portugal - Lisboa

Breve panorâmica do mercado de trabalho

 

O total da população da Área Metropolitana de Lisboa era de 2.862,7 milhares de pessoas (segundo o Inquérito ao Emprego do INE para o 2º trimestre de 2020).  

Esta é, de longe, a região com maior densidade populacional do país (perto de 950 habitantes / km2 – sendo a média nacional de 111,6 habitantes / km2), concentrando 27,8% da população em apenas 3,3% do território nacional. E é também a região com a população ativa mais qualificada: 39,7% apresenta um grau de ensino superior completo – por contraponto aos 29,8% da média nacional. 

Com uma taxa de desemprego de 6,5% (acima da média nacional, de 5,6%), verificou-se nesta região uma forte quebra no emprego ao longo do último ano (e, em particular, no 1º semestre de 2020): menos 53,2 mil postos de trabalho. Para esta contribuíram, de forma decisiva, as perdas líquidas nos ramos do Alojamento e Restauração (menos 17 mil empregos), das Atividades Financeiras e de Seguros (menos 14,2 mil), das Atividades de Informação e Comunicação (menos 12 mil) e do Comércio e Reparação de Veículos (menos 10,4 mil) – fortemente impactados pela crise pandémica do COVID-19.

Os mais jovens continuam a ser os mais afetados, com uma taxa de desemprego de 23,9% no grupo dos jovens com menos de 25 anos.

No final de junho de 2020, estavam inscritos nos Serviços de Emprego da região 131.972 desempregados, dos quais 37.985 (28,7%) inscritos há mais de 1 ano (desempregados de longa duração)*. 

Em termos de formas de organização do trabalho, esta é a região do país com maiores índices de estabilidade contratual (os contratos sem termo representam 71,7% da população empregada) e com menor representatividade dos trabalhadores por conta própria (13,9% dos trabalhadores empregados, contra 16,5% da média nacional). 

Foi também a região que (provavelmente, fruto da elevada concentração de serviços qualificados) mais rapidamente aderiu às modalidades de trabalho remoto (total ou parcial), introduzidas com o início do confinamento, no atual contexto de pandemia: 36% da população empregada, por contraponto aos 23,1% da média nacional.

Esta região caracteriza-se, ainda, por movimentos pendulares muito significativos de milhares de pessoas, por motivos de trabalho, em que o principal (não o único) foco de atração é o concelho de Lisboa.

Uma análise setorial da mão-de-obra empregada dá uma ideia clara do perfil da região: a Agricultura, produção animal, caça e floresta têm um peso residual; a Indústria, construção, energia e água representam menos de 15%; e os Serviços representam cerca de 83% do emprego da região. 

Esta é, com efeito, a região do país com maior concentração de serviços, com destaque para os serviços proporcionados na sua maioria pelo Setor Público, que representam 26,9% do emprego – Administração pública,defesa e segurança social; Educação; Saúde e serviços de apoio social. Os Serviços Centrais da maior parte dos organismos do Estado concentram-se em Lisboa. A região possui igualmente a maior concentração de estabelecimentos de ensino superior, público e privado (cerca de 1/3 do total nacional), e um grande número de instituições de Investigação & Desenvolvimento.

Destacam-se ainda, pelos níveis de emprego e pela relevância económica:

  • a banca e outras instituições financeiras; 
  • os serviços para empresas, incluindo serviços de consultadoria, contabilidade, assistência informática, publicidade;
  • empresas que gerem as infra-estruturas nacionais nos setores energético (eletricidade, gás e outros combustíveis), de telecomunicações (fixas, móveis e redes de dados) e audiovisuais (principais estações de televisão e rádios nacionais, bem como imprensa escrita), dos transportes aéreos, terrestres e marítimos e serviços de logística associados;
  • o comércio, turismo, hotelaria e restauração, que representam perto de 20% do emprego na região – particularmente afetados pela crise pandémica do COVID-19;
  • as atividades de turismo especializadas na prestação de serviços para o segmento empresarial e associativo – congressos e eventos – e para o segmento da cultura e do desporto (igualmente impactados pela pandemia);
  • os serviços privados de saúde; 
  • algumas indústrias transformadoras de relevo (com destaque para a indústria automóvel na Península de Setúbal), com forte pendor exportador.

*Os dados do INE consideram a atual NUTS II da Área Metropolitana de Lisboa, que agrega as sub-regiões da Grande Lisboa e da Península de Setúbal – enquanto que os dados do IEFP sobre desemprego registado se reportam à área de intervenção da sua Delegação Regional de Lisboa e Vale do Tejo (que integra também as regiões NUTS III do Médio Tejo e da Lezíria do Tejo).

 

Última edição do texto em: 10/2020


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