Informações sobre o Mercado de Trabalho

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Portugal - Algarve

Breve panorâmica do mercado de trabalho

 

O total da população na região do Algarve era de 437,5 milhares de pessoas e a população empregada rondava os 195,9 milhares, o que correspondeu a uma quebra de 17,3 mil postos de trabalho em relação ao período homólogo do ano anterior (segundo o Inquérito ao Emprego do INE para o 2º trimestre de 2020). 

A taxa de desemprego era já de 7,4%, a mais alta do país – refletindo já o forte impacto sofrido pela região, em particular no setor do Turismo, Hotelaria e Restauração, como reflexo da crise pandémica e das consequentes medidas de confinamento, de restrições à circulação e às viagens e de preservação da saúde pública aplicadas em toda a Europa e no mundo.

É de sublinhar as características habitualmente sazonais do desemprego nesta região. A pressão originada por centenas de milhares de turistas que anualmente visitam o algarve, sobretudo entre junho e setembro, desencadeia por regra uma aceleração na atividade turística e hoteleira, que se traduz num crescimento das necessidades de recrutamento no comércio e serviços, contribuindo para a recuperação do emprego durante este período – sendo seguido por uma diminuição abrupta no trimestre seguinte  Neste ano de 2020, contudo, a sazonalidade tem sido bastante menos notória (atendendo à crise pandémica). 

No final de junho de 2020, estavam inscritos nos Serviços de Emprego da região 26.140 desempregados, cerca de 6,4% do total nacional – sendo que o desemprego de longa duração é o mais baixo do país (apenas 13,9% do total de desempregados estava inscrito há mais de 1 ano). 

Relativamente à evolução da população empregada por setores de atividade, e comparativamente com o 2º trimestre de 2019, evidencia-se a quebra no emprego na generalidade das atividades, com destaque para:

  • o Alojamento e Restauração (o mais impactado pela pandemia), menos 7,8 mil postos de trabalho;
  • o Comércio e Reparação de Veículos, menos 6,2 mil;
  • a Construção Civil, menos 4,5 mil empregos;
  • a Agricultura, menos 1,8 mil postos de trabalho;
  • as Indústrias Transformadoras, menos 1,5 mil empregos.

Neste período, foram as atividades do setor público (Administração Pública, Segurança Social, Educação, Saúde e atividades de Apoio Social) a compensar parcialmente a quebra no emprego, com a geração de mais 6,4 mil empregos.

A realidade do emprego no Algarve é ainda de fraca intensidade em conhecimento, forte concentração em serviços pessoais e um peso ainda muito significativo do trabalho (e desemprego) não qualificado. 

A estrutura empresarial é constituída (à exceção do setor da Hotelaria) quase exclusivamente por pequenas e microempresas, com recursos humanos não muito qualificados.

Todavia, esta região tem vindo a revelar uma melhoria no nível de educação da sua população ativa, tendo o peso relativo da população com ensino superior melhorado face às outras regiões, situando-se atualmente nos 24,3% (ainda abaixo do valor médio nacional, de 29,8%). A Universidade do Algarve é um pólo crítico de desenvolvimento cultural, científico e tecnológico, com forte ligação ao tecido empresarial. Uma Universidade dinâmica, que responde às estratégias de desenvolvimento da região, através da promoção de áreas de ensino e de investigação para as fileiras produtivas de maior relevo no Algarve.

A estrutura económica do Algarve assenta em 6 setores estratégicos associados aos recursos naturais da região: hotelaria, restauração e turismo, saúde, TIC, atividades criativas, agroalimentares e atividades marítimas.

Grande parte das empresas dedica-se ao comércio, às atividades de “rent a car” e também ao alojamento e restauração, o que reforça o peso significativo da atividade turística como elemento polarizador do desenvolvimento endógeno (especialização que, no atual contexto, coloca em risco a sustentabilidade do modelo económico da região).

Os movimentos transfronteiriços na área de fronteira com Espanha (com a região da Andaluzia) são ainda pouco significativos, sobretudo atendendo à semelhança da estrutura económica das duas regiões. Maioritariamente, os trabalhadores fronteiriços portugueses que trabalham na Andaluzia  fazem-no nos setores de Hotelaria e Restauração, Conservas de Peixe e Agricultura.

 

Última edição do texto em: 10/2020


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