Informações sobre o Mercado de Trabalho

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Portugal - Nível Nacional

Breve panorâmica do mercado de trabalho

 

NOTA: atendendo à forte incerteza associada à pandemia COVID-19, a informação disponibilizada assume alguns riscos na previsão das tendências evolutivas da economia e do mercado de trabalho. 

Neste contexto de volatilidade, permanente adaptação e resiliência, tanto por parte das empresas e organizações como por parte dos trabalhadores e da população em geral, a única certeza existente é a de que economia e mercado de trabalho – ao nível nacional e nas diversas regiões - foram impactados negativamente ao longo do 1º semestre de 2020, presumindo-se que continuarão a sê-lo nos próximos meses, não obstante os sinais positivos de adaptação do tecido empresarial português no sentido de dar resposta às novas condições e necessidades.

O total da população residente em Portugal era de 10.286 milhares de pessoas no 2º trimestre de 2020 (de acordo com o Inquérito ao Emprego do INE), dos quais 47,1% homens e 52,9% mulheres. 

Em pleno contexto de pandemia COVID-19 e no período mais marcado pelas medidas de confinamento (em abril-maio), a população ativa reduziu para 5.009,6 milhares (menos 4,5% face a igual período em 2019) e a população empregada para os 4.731,2 milhares (menos 185,5 milhares de postos de trabalho - 3,8% - face a 2019). 

A taxa de desemprego era de 5,6%, refletindo ainda uma tendência de redução que se mantinha desde 2014. O desemprego juvenil (jovens com menos de 25 anos) situava-se nos 19,1% e o desemprego de longa duração representava 37,1% do total.

Contudo, importa referir que o número de trabalhadores abrangido pelo regime de “layoff” (total ou parcial) simplificado, medida que visou atenuar o impacto da pandemia no desemprego, ascendeu ao longo deste período a mais de 1,3 milhões de trabalhadores abrangidos (valor que se mantém nos meses de verão) – prevendo-se que uma parte destes trabalhadores possa progressivamente cair em situação de desemprego até final de 2020 / início de 2021.

Antes da pandemia, de acordo com o Inquérito Europeu às Forças de Trabalho (dados do 4º trimestre de 2019), Portugal apresentava uma taxa de atividade (75,8%) superior à da média da então UE a 28 (de 74,2%), sendo a participação das mulheres no mercado de trabalho bastante mais elevada (73,4%) do que a média da UE 28 (de 68,8%). No entanto, os dados do 2º trimestre de 2020 refletem um decréscimo significativo, para 72% (não existindo ainda dados para comparação a nível europeu).

Quanto a novas formas de organização do trabalho, a prática do trabalho a tempo parcial continua a ser bastante reduzida no país (representando apenas 7,3% do emprego total contra 19,1% na UE 28) - sendo particularmente notória a sua sub-utilização pelas mulheres (9,9%), quando confrontada com a média de 31,2% do emprego feminino registada ao nível da UE 28. 

Com a pandemia, registou-se, por outro lado, um aumento significativo das práticas de teletrabalho, que envolveram no 2º trimestre de 2020 (de acordo com o Inquérito ao Emprego do INE) 23,1% da população empregada – com um particular enfoque no setor dos serviços, na Área Metropolitana de Lisboa e nas profissões mais qualificadas. Com o tempo, verificar-se-á se esta tendência veio para ficar no mercado de trabalho português.

No final de junho de 2020, o número de desempregados inscritos nos serviços de emprego em Portugal era de 406.665 desempregados (um aumento de 108,5 milhares – ou 36,4% - face a junho de 2019). Destes, 44,3% eram homens e 55,7% mulheres - e 33,4% encontravam-se inscritos há mais de 1 ano. 

Cerca de 9,7% dos desempregados inscritos no Continente eram estrangeiros. 4.169 eram cidadãos da União Europeia (com destaque para os cidadãos de Roménia, Itália, Espanha e Bulgária) e 2.739 eram provenientes de países da Europa de Leste (com destaque para a Ucrânia). Estavam também registados mais de 23.300 desempregados provenientes dos países de língua portuguesa, em especial do Brasil (14.853), de Cabo Verde (2.558), de Angola (2.085) e da Guiné Bissau (1.780).

Em termos de perfil do emprego no país (Inquérito ao Emprego INE, 2º trimestre de 2020): as atividades da Agricultura, Produção Animal, Caça, Floresta e Pesca representam 5,5% da população empregada; a Indústria, Construção, Energia e Água 24,7%; e os Serviços perto de 70% (69,8%). 

Portugal continua a evoluir no sentido da terciarização e digitalização da atividade, com particular destaque para as áreas do Comércio e Reparação de Veículos (perto de 20% do emprego nos Serviços), Saúde e Serviços de Apoio Social (14,2%) e Educação (12,5%). 

A área da Hotelaria e Restauração (8,4% - representava mais de ¼ do emprego nos Serviços em 2019) foi a mais afetada neste período, com uma perda de cerca de 40.500 postos de trabalho face a igual período de 2019. Outro setor afetado foi o das Atividades Imobiliárias, com a perda de cerca de 6.000 postos de trabalho. 

Por oposição, o segmento das Atividades de Informação e Comunicação (com um elevado número de pequenas e médias empresas a atuar, por exemplo, no desenvolvimento de ‘software’, ‘web design’, marketing digital e multimédia) registou um aumento de perto de 7% face a 2019, com a criação líquida de mais de 9.000 postos de trabalho. 

Nas atividades dos Transportes e Logística, perceciona-se por enquanto alguma estabilidade, sem perdas significativas, representando agora 6,5% do emprego no setor dos Serviços. 

O setor da Indústria, Construção, Energia e Água, que registava uma tendência de recuperação desde o início de 2014, apresentou perdas significativas face a 2019, tanto na Indústria Transformadora (redução líquida de cerca de 33,8 mil postos de trabalho num ano) como na Construção (menos 14,7 mil postos de trabalho – sendo que representa ainda 6,2% do emprego total). 

As Indústrias Transformadoras (que representam 16,8% do total do emprego), não sendo dos setores mais dinâmicos na economia portuguesa, têm apesar de tudo vindo a modernizar-se e a apostar na inovação – dando sinais de capacidade de regeneração face às novas necessidades no contexto da pandemia. 

Merece relevo, no atual contexto,,  o “cluster” da saúde, com as indústrias farmacêutica, dos moldes, dos plásticos, de equipamentos elétricos e eletrónicos, o próprio têxtil e o emergente setor das biotecnologias a darem sinais de vitalidade - apostando, neste período, na produção de testes de diagnóstico e serológicos, de máscaras e viseiras, de equipamentos de proteção para profissionais de saúde ou até de ventiladores.

Também indústrias tradicionais, como o calçado e o vestuário, têm vindo a apostar na sua modernização, inovação e internacionalização, nos últimos anos, criando postos de trabalho mais qualificados associados a estes processos. Nos próximos meses/anos se verá se esta aposta é suficiente para enfrentar os efeitos da crise pandémica no comércio internacional. 

 

Última edição do texto em: 10/2020


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