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Inforegio/Panorama
Janeiro 2001

A publicação trimestral dos actores do desenvolvimento regional

Indice
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Eventos

Auditoria urbana: 58 cidades vistas à lupa


Créteil, 21 de Setembro de 2000. Desenrolam-se quilómetros e quilómetros de cabos eléctricos, apertam-se parafusos, erguem-se pódios, os organizadores apressam-se, uma cidade está em ebulição. Créteil, situada a alguns quilómetros ao sul de Paris, prepara-se para albergar o segundo festival internacional da cidade intitulado "Cidades da Europa". O festival reúne, durante 3 dias, todos os que "fazem a cidade no dia a dia", para reflectirem, trocarem e partilharem ideias e se divertirem. É neste quadro que se realiza a jornada da auditoria urbana, um vasto inquérito sobre a qualidade da vida em 58 grandes cidades europeias levado a efeito por iniciativa da Comissão Europeia.

Presidentes da Câmara, representantes eleitos locais, responsáveis pelo urbanismo, pessoal das administrações locais..., ao todo foram mais de trezentas pessoas a reunir-se na Maison des Arts et de la Culture de Créteil para confrontarem as suas opiniões sobre as análises da auditoria urbana. O Comissário Michel Barnier veio apresentar os resultados desse estudo que é fruto de dois anos de recolha e de tratamento de informação.O estudo baseia-se num conjunto de indicadores-chave relativos aos aspectos socioeconómicos de uma cidade (população, estruturas dos agregados familiares, ...), à cidadania (percentagem de votantes, número de pessoas inscritas nas listas eleitorais, ...), à educação e à formação (percentagem de alunos, nível de instrução, ...), ao ambiente (qualidade do ar, lixos, ...), bem como à cultura e aos tempos livres (cinemas, equipamento desportivo, ...).

Comparar o impacto das políticas urbanas

Graças a estes dados, a auditoria urbana permite que se comparem as condições de vida entre grandes cidades europeias.
Tal como o salienta Valentino Castellani, Presidente da Câmara de Turim, "trata-se de um instrumento que facilita a avaliação do impacto das políticas. Assim, é possível ver à escala de cidade, e com o apoio dos números, se uma política de emprego funciona ou não. A auditoria urbana permite elaborar, além disso, um quadro comparativo das cidades analisadas. Permite descobrir semelhanças entre determinadas cidades e o nosso próprio município, o que possibilita que procedamos a uma reflexão comum sobre os métodos a utilizar".

Será que os dados estatísticos podem de facto influenciar a política levada a efeito pela administração?

Sim. Por exemplo, há algum tempo, apercebemo-nos do aumento dos roubos de automóveis numa determinada zona, a determinadas horas. Podemos, portanto, intervir mais eficazmente de modo a reduzir esse tipo de delinquência e a aumentar a segurança.

Para esse tipo de análise Turim não pode ser considerada como uma única unidade?

Com efeito, não existe uma cidade de Turim mas diversas cidades no seio de uma única entidade administrativa. O território foi talhado em sessenta zonas que apresentam variações por vezes muito importantes. Para determinar os indicadores socioeconómicos, todas as cidades estudadas pela auditoria foram subdivididas em zonas, pelo que nos podemos dar conta das diferenças existentes no seio de uma mesma cidade.

Os valores obtidos corroboram sempre a percepção dos habitantes?

Não. E é precisamente sob esse aspecto que um instrumento como a auditoria urbana é interessante. Aliás, os inquéritos e entrevistas efectuados paralelamente à auditoria urbana provam isso mesmo. Certas pessoas podem considerar que a criminalidade aumenta enquanto os factos provam que ela está em regressão sensível. Pode-se igualmente obter o efeito inverso com o desemprego. Os habitantes podem ter uma perspectiva muito mais optimista do que a realidade.

De Göteborg a Lisboa

 

Lendo este vasto inquérito, fica-se a saber que, no decorrer das duas últimas décadas, cerca de metade das cidades estudadas registaram um aumento da sua população, enquanto a outra metade registou o efeito inverso. Em média, cerca de 90% dos habitantes das cidades da auditoria são nacionais. Todavia, as proporções podem variar consideravelmente, passando, por exemplo, de 99,2% em Helsínquia para 49,5% no Luxemburgo. O emprego das mulheres aumenta também sensivelmente, situando-se em 41% do emprego total nas zonas analisadas. Se a taxa de actividade das mulheres atinge 70% em Berlim, o certo é que não chega a 33% em Seviha enquanto, em Salónica, se aproxima de 41%.

A auditoria diz-nos também que mais de um quarto da população citadina utiliza os transportes públicos para se deslocar até ao seu local de trabalho. Por último, os citadinos são mais cinéfilos do que melómanos, uma vez que adquirem dez vezes mais bilhetes de cinema do que para concertos.

Todas estas informações, estes dados, estes valores e tendências foram alvo de uma recolha minuciosa e, por vezes, laboriosa. As administrações nacionais, regionais e locais tiveram de manter uma estreita colaboração com os serviços da Comissão encarregados das estatísticas. Para isso, tiveram de ser resolvidas algumas dificuldades metodológicas. Como o assinala Eva-Riitta Sitonen, Presidente da Câmara de Helsínquia, "o que é uma cidade ou uma zona urbana? Uma extensão geográfica, social, económica? É preciso defini-lo com rigor porque as estatísticas se fundamentam em definições claras."

A escolha dos responsáveis pelo inquérito optou pela circunscrição administrativa mas, para dar maior relevo ao estudo, foram igualmente recolhidas informações sobre zonas territoriais alargadas. Eis outro problema: nem todas as informações se encontram disponíveis ao mesmo nível nem do mesmo modo. Se um município dispõe de números relativos à sua população, é, por vezes, o Estado que recolhe os dados relativos ao emprego. Além disso, os métodos de cálculo não são idênticos em cada país e determinados indicadores, como o custo de um alojamento, só têm valor se forem comparados a nível do rendimento dos habitantes.

No entanto, como afirma Valentino Castellani, Presidente da Câmara de Turim, "a auditoria urbana levou a bom termo a aposta de elaborar um retrato coerente e relativamente completo das cidades. De futuro, e atendendo a que não podemos deixar de constatar a utilidade deste instrumento, seria necessária uma maior interacção com as cidades e prever a organização de uma resposta regular."

Apenas obtidos os primeiros resultados a auditoria prepara já o seu futuro

A fim de ser também representativa das cidades de pequena e média dimensão, a auditoria será levada a alargar o seu campo de análise ao mesmo tempo que apura os seus indicadores. Uma das soluções consideradas em Créteil consistiria em conservar apenas os indicadores mais pertinentes de modo a poder analisar mais zonas urbanas. Para atingir o equilíbrio entre a oferta e a procura, novos domínios poderiam igualmente ser analisados: a qualidade e a quantidade dos serviços à população, a pobreza não monetária, os problemas de alojamento, a percepção da saúde, o número de leitos de hospital, os acessos públicos à Internet ou ainda o número de casas equipadas com um modem. Com o correr dos anos e dos melhoramentos, a auditoria urbana deveria, portanto, aperfeiçoar-se e tornar-se numa base de estudo e de comparação à escala da Europa inteira. Cerca de metade das cidades abrangidas pela auditoria urbana registaram um aumento da sua população no decorrer das duas últimas décadas.



Para mais informação sobre a auditoria urbana consultar:
http://ec.europa.eu/regional_policy/archive/urban2/urban/audit/src/intro.html
 

 


 

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