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Inforegio/Panorama
Janeiro 2001

A publicação trimestral dos actores do desenvolvimento regional

Indice
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Descoberta

Espanha
Os transportes recentram a periferia

Encontro com Antonio López Corral


Durante muito tempo a Espanha sofreu com o seu afastamento relativamente aos grandes centros industriais europeus. Aquando da sua adesão à União Europeia, em 1986, a sua rede de transportes era fraca e estava insuficientemente ligada às infra-estruturas dos países vizinhos. Com a ajuda do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional e do Fundo de Coesão, as autoridades espanholas modernizaram e alargaram acentuadamente os eixos rodoviários e as linhas férreas. Uma grande parte do país é abrangida pelo vasto projecto da rede transeuropeia de transportes que tem como objectivo apoiar a mobilidade no mercado único europeu.

3 600 km de costas banhadas pelo Mediterrâneo e pelo Atlântico, cerca de 500 000 Km2 e 40 milhões de habitantes fazem de Espanha um dos maiores países da Europa. A adesão do país à Comunidade, em 1986, acelerou a abertura da sua economia. O aumento dos intercâmbios com o resto do continente permitiu um forte crescimento económico. Em 1999 o produto interno bruto espanhol progrediu de 3,6%, atingindo cerca de 600 milhares de milhões de euros.

Todavia, o desenvolvimento do país continua a ser fortemente tributário da falta de infra-estruturas de transportes. Tendo em conta a superfície do território e a sua população, a rede rodoviária espanhola figura entre as menos desenvolvidas da Europa, embora inclua mais auto-estradas do que a média. A rede ferroviária é também nitidamente menos extensa do que no resto da União. As linhas duplas ou as vias electrificadas que facilitam e encurtam o transporte fazem também cruelmente sentir a sua falta.

Graças ao importante apoio da União Europeia (a Espanha é um dos maiores beneficiários das ajudas estruturais),foram desenvolvidos, de há dois anos para cá, esforços sem precedentes destinados a aumentar, modernizar e interconectar as infra-estruturas de transporte. Entre os grandes trabalhos realizados devem citar-se a ligação "Rías Bajas" entre o centro do país e a Galiza, o eixo transversal da Catalunha e ainda a auto-estrada "Guipúzcoa - Navarra", no norte. Nos domínios dos caminhos de ferro, o eixo "Alicante - Valência - Barcelona" foi modernizado, tendo sido lançada a fase de estudos preliminar à construção da linha TGV "Madrid - Barcelona - fronteira francesa".


A rede rodoviária espanhola faz parte das menos desenvolvidas da Europa, embora inclua mais auto-estradas do que a média.

 

A nível local, a rede do metropolitano de Madrid foi aumentada, nomeadamente através de uma nova linha em direcção do aeroporto da cidade. Por último, a circulação nas grandes cidades foi também melhorada graças às cinturas rodoviárias de Madrid, Las Palmas e Gijón.

Para o período 2000-2006 das ajudas regionais europeias, a estratégia de desenvolvimento proposta no âmbito do objectivo n° 1 prevê ainda numerosas readaptações para as redes inter e intra-regionais, a conexão das redes regionais às grandes redes europeias de transportes e a criação de novas infra-estruturas aeroportuárias.

Comboio a unir Madrid, Barcelona e Montpellier

O projecto TGV sul foi iniciado em 1991 com o objectivo de ligar a Península Ibérica à rede de TGV francesa e, desse modo, melhorar as relações comerciais entre Espanha e o resto da Europa. O projecto impõe a construção de novas linhas e a adaptação das antigas aos comboios de alta velocidade. 1 601 Km de vias férreas estão previstos entre Irun, no País Basco, Valladolid, Madrid, Barcelona e Perpignan. Esta obra de grande envergadura divide-se em duas partes: o troço mediterrânico e o troço atlântico. O primeiro assegura a ligação com o TGV Paris - Lyon - Marselha, e o segundo com o TGV atlântico Paris - Bordéus.

Graças a estes trabalhos, Madrid ficará a apenas três horas de Barcelona, em vez de sete horas na actualidade. A nova linha aumentará igualmente a capacidade de transporte de 400% entre as duas cidades.

Com um investimento total de 10,072 mil milhões de euros, os trabalhos deverão estar concluídos em 2004.


Encontro com Antonio López Corral

Director- Geral da programação económica do Ministério das Obras Públicas espanhol



Diversos projectos importantes que dependem da rede transeuropeia de transportes (RTE) estão em vias de construção na Península Ibérica. Qual o estado de adiantamento desses projectos e quais os trabalhos previstos para o período 2000-2006 com o apoio dos Fundos estruturais e do Fundo de Coesão?

A RTE para a Península Ibérica incluí dois projectos particularmente importantes. O comboio de alta velocidade sul, por um lado, que compreende dois eixos (Madrid - Barcelona - Perpignan - Montpellier e Madrid - Valladolid - Vitória - Dax) e , por outro, o corredor multimodal Espanha -Portugal. No que diz respeito ao comboio de alta velocidade, 37% do investimento previsto foram já autorizados para o troço espanhol Madrid - Figueras, cujo custo total se elevará a 7 809 milhões de euros. Em 2002 será inaugurado o troço Madrid - Saragoça - Lérida e, antes do fim de 2004, a conexão fronteiriça com o troço Figueras - Perpignan. Além disso, a execução do troço Madrid - Valladolid teve já início. No que diz respeito às ligações com Portugal, o projecto rodoviário, cujo custo total se eleva a 700 milhões de euros, está particularmente avançado na sua parte norte, entre Verin e a fronteira portuguesa.

Qual deverá ser o impacto da entrada em serviço dos corredores de transporte para França e Portugal nos intercâmbios comerciais?

Na medida em que a interconexão entre as redes favorece as sinergias e o desaparecimento do efeito de fronteira, esses corredores favorecem a integração económica que, por sua vez, estimulará o tráfico.

As regiões afastadas, como a Galiza e a Andaluzia, tirarão proveito da expansão das infra-estruturas de transportes?

O traçado do comboio de alta velocidade prevê uma conexão com a Galiza, através do eixo Madrid - Dax. Quanto à Andaluzia, prevê-se a extensão da linha de alta velocidade Madrid - Sevilha até Málaga, Cádis e Huelva. No que diz respeito à auto-estrada, o troço Sevilha - Rosal de la Frontera está concluído. Regra geral, a nossa adesão à União Europeia permitiu reforçar o reequilibro regional. Por exemplo, os indicadores de densidade rodoviária e de qualidade registaram, devido às características geométricas das novas estrada expresso e auto-estradas, um crescimento em termos de convergência mais rápido do que a média nacional.

Em que medida as comunidades autónomas participam na preparação dos projectos nacionais?

A forte descentralização das competências administrativas própria do sistema político espanhol obriga a uma concertação permanente a nível nacional de modo a assegurar a coordenação dos projectos. 443% da rede rodoviária interurbana pertencem às administrações regionais e 85% ao conjunto das administrações territoriais, devido à inclusão da rede provincial decorrente dos Conselhos provinciais ("Diputaciones Provinciales"). Quanto à utilização dos fundos da UE, um terço dos montantes investidos foi confiado às comunidades autónomas.

Existem perspectivas de desenvolvimento para os portos marítimos, tendo em conta a perspectiva da sua integração na RTE?

O desenvolvimento do transporte marítimo de cabotagem é um dos pontos fortes da política de desenvolvimento dos portos. Na âmbito da RTE, o esforço de investimento consentido a médio prazo para o conjunto dos portos espanhóis incidirá na construção de caís e de postos de amarração para 36% do total e em obras de protecção, de sinalização e de ordenamento dos acessos marítimos, em 35%. O resto será consagrado aos acessos por via terrestre ou às redes de telecomunicações, nomeadamente.

Quais os esforços empreendidos em Espanha com vista à integração das redes e à intensificação da intermodalidade?

No principal eixo rodoviário de Madrid está em construção uma estação de metropolitano onde serão registadas as bagagens dos viajantes do aeroporto de Barajas. Tratar-se-á de um ponto de encontro entre todos os tipos de transportes. Para voltar à questão dos portos, todo o nosso programa de desenvolvimento se fundamenta no princípio da intermodalidade com as redes rodoviárias de forte capacidade e com a rede ferroviária. Assim, a prioridade é dada à continuidade da rede de transportes, a fim de estimular o aumento da competitividade do sistema portuário no seu conjunto e de reduzir os custos na cadeia de transportes.


 

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