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Durante muito tempo a Espanha sofreu com o seu afastamento relativamente
aos grandes centros industriais europeus. Aquando da sua adesão
à União Europeia, em 1986, a sua rede de transportes era
fraca e estava insuficientemente ligada às infra-estruturas dos
países vizinhos. Com a ajuda do Fundo Europeu de Desenvolvimento
Regional e do Fundo de Coesão, as autoridades espanholas modernizaram
e alargaram acentuadamente os eixos rodoviários e as linhas férreas.
Uma grande parte do país é abrangida pelo vasto projecto
da rede transeuropeia de transportes que tem como objectivo apoiar a mobilidade
no mercado único europeu.
3 600 km de costas banhadas pelo Mediterrâneo e pelo Atlântico,
cerca de 500 000 Km2 e 40 milhões de habitantes fazem de Espanha
um dos maiores países da Europa. A adesão do país
à Comunidade, em 1986, acelerou a abertura da sua economia. O aumento
dos intercâmbios com o resto do continente permitiu um forte crescimento
económico. Em 1999 o produto interno bruto espanhol progrediu de
3,6%, atingindo cerca de 600 milhares de milhões de euros.
Todavia, o desenvolvimento do país continua a ser fortemente tributário
da falta de infra-estruturas de transportes. Tendo em conta a superfície
do território e a sua população, a rede rodoviária
espanhola figura entre as menos desenvolvidas da Europa, embora inclua
mais auto-estradas do que a média. A rede ferroviária é
também nitidamente menos extensa do que no resto da União.
As linhas duplas ou as vias electrificadas que facilitam e encurtam o
transporte fazem também cruelmente sentir a sua falta.
Graças ao importante apoio da União Europeia (a Espanha
é um dos maiores beneficiários das ajudas estruturais),foram
desenvolvidos, de há dois anos para cá, esforços
sem precedentes destinados a aumentar, modernizar e interconectar as infra-estruturas
de transporte. Entre os grandes trabalhos realizados devem citar-se a
ligação "Rías Bajas" entre o centro do
país e a Galiza, o eixo transversal da Catalunha e ainda a auto-estrada
"Guipúzcoa - Navarra", no norte. Nos domínios
dos caminhos de ferro, o eixo "Alicante - Valência - Barcelona"
foi modernizado, tendo sido lançada a fase de estudos preliminar
à construção da linha TGV "Madrid - Barcelona
- fronteira francesa".

A rede rodoviária
espanhola faz parte das menos desenvolvidas da Europa, embora inclua
mais auto-estradas do que a média. |
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A nível local, a rede do metropolitano
de Madrid foi aumentada, nomeadamente através de uma nova linha
em direcção do aeroporto da cidade. Por último,
a circulação nas grandes cidades foi também melhorada
graças às cinturas rodoviárias de Madrid, Las
Palmas e Gijón.
Para o período 2000-2006 das ajudas regionais europeias, a
estratégia de desenvolvimento proposta no âmbito do objectivo
n° 1 prevê ainda numerosas readaptações para
as redes inter e intra-regionais, a conexão das redes regionais
às grandes redes europeias de transportes e a criação
de novas infra-estruturas aeroportuárias. |
Comboio a unir Madrid, Barcelona e Montpellier
O projecto TGV sul foi iniciado em 1991 com o objectivo de ligar a Península
Ibérica à rede de TGV francesa e, desse modo, melhorar as
relações comerciais entre Espanha e o resto da Europa. O
projecto impõe a construção de novas linhas e a adaptação
das antigas aos comboios de alta velocidade. 1 601 Km de vias férreas
estão previstos entre Irun, no País Basco, Valladolid, Madrid,
Barcelona e Perpignan. Esta obra de grande envergadura divide-se em duas
partes: o troço mediterrânico e o troço atlântico.
O primeiro assegura a ligação com o TGV Paris - Lyon - Marselha,
e o segundo com o TGV atlântico Paris - Bordéus.
Graças a estes trabalhos, Madrid ficará a apenas três
horas de Barcelona, em vez de sete horas na actualidade. A nova linha
aumentará igualmente a capacidade de transporte de 400% entre as
duas cidades.
Com um investimento total de 10,072 mil milhões de euros, os trabalhos
deverão estar concluídos em 2004.

Encontro com Antonio López Corral
Director- Geral da programação económica do Ministério
das Obras Públicas espanhol
Diversos projectos importantes que dependem da rede transeuropeia de
transportes (RTE) estão em vias de construção na Península
Ibérica. Qual o estado de adiantamento desses projectos e quais os
trabalhos previstos para o período 2000-2006 com o apoio dos Fundos
estruturais e do Fundo de Coesão?
A RTE para a Península Ibérica incluí dois projectos
particularmente importantes. O comboio de alta velocidade sul, por um
lado, que compreende dois eixos (Madrid - Barcelona - Perpignan - Montpellier
e Madrid - Valladolid - Vitória - Dax) e , por outro, o corredor
multimodal Espanha -Portugal. No que diz respeito ao comboio de alta velocidade,
37% do investimento previsto foram já autorizados para o troço
espanhol Madrid - Figueras, cujo custo total se elevará a 7 809
milhões de euros. Em 2002 será inaugurado o troço
Madrid - Saragoça - Lérida e, antes do fim de 2004, a conexão
fronteiriça com o troço Figueras - Perpignan. Além
disso, a execução do troço Madrid - Valladolid teve
já início. No que diz respeito às ligações
com Portugal, o projecto rodoviário, cujo custo total se eleva
a 700 milhões de euros, está particularmente avançado
na sua parte norte, entre Verin e a fronteira portuguesa.
Qual deverá ser o impacto da entrada em serviço dos
corredores de transporte para França e Portugal nos intercâmbios
comerciais?
Na medida em que a interconexão entre as redes favorece as sinergias
e o desaparecimento do efeito de fronteira, esses corredores favorecem
a integração económica que, por sua vez, estimulará
o tráfico.
As regiões afastadas, como a Galiza e a Andaluzia, tirarão
proveito da expansão das infra-estruturas de transportes?
O traçado do comboio de alta velocidade prevê uma conexão
com a Galiza, através do eixo Madrid - Dax. Quanto à Andaluzia,
prevê-se a extensão da linha de alta velocidade Madrid -
Sevilha até Málaga, Cádis e Huelva. No que diz respeito
à auto-estrada, o troço Sevilha - Rosal de la Frontera está
concluído. Regra geral, a nossa adesão à União
Europeia permitiu reforçar o reequilibro regional. Por exemplo,
os indicadores de densidade rodoviária e de qualidade registaram,
devido às características geométricas das novas estrada
expresso e auto-estradas, um crescimento em termos de convergência
mais rápido do que a média nacional.
Em que medida as comunidades autónomas participam na preparação
dos projectos nacionais?
A forte descentralização das competências administrativas
própria do sistema político espanhol obriga a uma concertação
permanente a nível nacional de modo a assegurar a coordenação
dos projectos. 443% da rede rodoviária interurbana pertencem às
administrações regionais e 85% ao conjunto das administrações
territoriais, devido à inclusão da rede provincial decorrente
dos Conselhos provinciais ("Diputaciones Provinciales"). Quanto
à utilização dos fundos da UE, um terço dos
montantes investidos foi confiado às comunidades autónomas.
Existem perspectivas de desenvolvimento para os portos marítimos,
tendo em conta a perspectiva da sua integração na RTE?
O desenvolvimento do transporte marítimo de cabotagem é
um dos pontos fortes da política de desenvolvimento dos portos.
Na âmbito da RTE, o esforço de investimento consentido a
médio prazo para o conjunto dos portos espanhóis incidirá
na construção de caís e de postos de amarração
para 36% do total e em obras de protecção, de sinalização
e de ordenamento dos acessos marítimos, em 35%. O resto será
consagrado aos acessos por via terrestre ou às redes de telecomunicações,
nomeadamente.
Quais os esforços empreendidos em Espanha com vista à
integração das redes e à intensificação
da intermodalidade?
No principal eixo rodoviário de Madrid está em construção
uma estação de metropolitano onde serão registadas
as bagagens dos viajantes do aeroporto de Barajas. Tratar-se-á
de um ponto de encontro entre todos os tipos de transportes. Para voltar
à questão dos portos, todo o nosso programa de desenvolvimento
se fundamenta no princípio da intermodalidade com as redes rodoviárias
de forte capacidade e com a rede ferroviária. Assim, a prioridade
é dada à continuidade da rede de transportes, a fim de estimular
o aumento da competitividade do sistema portuário no seu conjunto
e de reduzir os custos na cadeia de transportes.

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