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A UE apoia o desenvolvimento da região do Sul de Itália, concedendo fundos para converter os bens confiscados à máfia em centros de formação e de empresas.
Como punir alguém responsável por cem mortes? E como quebrar o ciclo da pobreza e do desespero resultante de anos de violência e de intimidação causadas pela máfia? A polícia italiana prendeu o tristemente célebre chefe mafioso Giovanni Brusca e confiscou os seus bens.
As penas de prisão perpétua consolam em certa medida as vítimas da máfia mas não resolvem os problemas subjacentes do elevado desemprego e da pobreza que permitem aos criminosos controlar a vida das pessoas. O crime organizado é o maior obstáculo ao desenvolvimento económico da região do Mezzogiorno, uma vez que afecta a produtividade e afugenta potenciais investidores.
A UE ajudou as autoridades italianas a converter 50 propriedades confiscadas em empresas de formação, de turismo rural e de outros ramos com o fim de criar emprego e dar aos jovens uma alternativa ao crime.
Os projectos enviam um sinal claro às pessoas da região: estando do lado da lei, é possível lutar contra a máfia e criar empresas de sucesso.
Em Palermo, a UE também co-financiou as obras necessárias para construir nos terrenos de Giovanni Brusca um espaço de recreio para crianças e um jardim em memória de jovens vítimas da máfia, como Giuseppe Di Matteo, que esteve sequestrado durante dois anos, foi estrangulado e o seu corpo foi depois dissolvido num banho de ácido.
Na região da Campânia, um centro de juventude que oferece actividades de formação e de lazer e o novo posto de polícia local foram construídos em terrenos confiscados a Giorgio Marano, um antigo chefe da Camorra.
Por outro lado, cada garrafa produzida pela empresa vinícola "Centopassi" é dedicada a uma vítima da máfia. Os terrenos utilizados para a construção desta empresa foram confiscados a Giovanni Genovese que foi preso em 2007 por extorsão e outros crimes.
No total, a UE concedeu 64 milhões de euros para a reconversão de terrenos e de outros bens confiscados à máfia ao abrigo do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) para o período de 2007-2013. 75% destes fundos serão aplicados no programa de desenvolvimento em matéria de segurança nas seguintes quatro regiões do Sul de Itália: Calábria, Campânia, Apúlia e Sicília.
A Itália é o o terceiro maior beneficiário do fundo europeu de desenvolvimento regional, seguindo-se-lhe a Polónia e Espanha. Para o período de 2007 a 2013, a Itália deverá beneficiar de 28,8 mil milhões de euros, dos quais 21,9 mil milhões provêm do FEDER e 6,9 mil milhões do Fundo Social Europeu.