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Projectos ambientais vão a leilão em Bruxelas.
No ano passado, uma organização ambiental muito conhecida solicitou 525 584 euros à UE para ajudar a salvar o jacarandá africano (Dalbergia melanoxylon) e lutar contra a pobreza nas comunidades do sudeste da Tanzânia cujo modo de vida depende desta árvore.
A madeira do jacarandá africano é uma das mais valiosas do mundo, especialmente apreciada pelas suas qualidades acústicas e utilizada para fazer instrumentos de sopro como oboés, clarinetes e gaitas de fole. Outrora abundante em África, a desflorestação excessiva fez com que esta árvore se encontre actualmente ameaçada de extinção.
O EuropeAid, o serviço da UE responsável pela ajuda externa, analisou em pormenor o pedido da organização e decidiu que deveria ser financiado. No entanto, dadas as limitações financeiras, o projecto não chegou a receber qualquer subsídio da UE.
Mas a história não acaba aqui...
Com efeito, o projecto de conservação do jacarandá africano na Tanzânia ![]()
é um dos 86 projectos de todo o mundo à «venda» no primeiro leilão ambiental da UE ![]()
organizado em Bruxelas, em 13 de Março. Com orçamentos que variam entre 400 000 e 3 milhões de euros, estes projectos têm objectivos que vão da luta contra a desertificação, as alterações climáticas e a desflorestação ao reforço da biodiversidade e ao desenvolvimento sustentável. A Comissão considera que todos estes projectos merecem ser financiados, mas não tem os fundos necessários para tal.
Não se pretende organizar um leilão tradicional, mas sim dar a oportunidade a potenciais doadores (governos, fundações e empresas) de ficar a conhecer os projectos pela voz dos seus organizadores e dos peritos da UE que os analisaram. Inscreveram-se na conferência cerca de 400 participantes. Os acordos são feitos directamente entre projectos e doadores, tendo a Comissão um papel de intermediária.
Os projectos visam reforçar o papel das comunidades locais e indígenas na gestão das florestas e outros recursos naturais. Para além do já referido projecto, há iniciativas que visam recuperar a floresta tropical do Peru, lançar projectos de energias renováveis em pequena escala em zonas rurais do Tajiquistão, monitorizar e conservar populações de águias-pesqueiras no norte de África e replantar florestas de mangues na Nigéria.
Em 2008, a União Europeia recebeu cerca de 200 respostas a um convite à apresentação de propostas para financiamento no domínio do ambiente, tendo financiado 46 projectos no valor de 64,5 milhões de euros.