Comércio internacional de mercadorias

Dados extraídos em março de 2017. Dados mais recentes: Mais informações do Eurostat, Principais quadros e Base de dados. Atualização prevista do artigo: junho de 2018. A versão inglesa é mais recente.

Este artigo trata do desenvolvimento do comércio internacional de mercadorias da União Europeia (UE). Considera a quota-parte da UE nos mercados mundiais de importação e exportação, o comércio intra-UE (comércio entre os Estados-Membros da UE), os principais parceiros comerciais da UE e as categorias de produtos mais comercializadas.

A UE-28 representa cerca de 15 % do comércio mundial de mercadorias. O valor do comércio internacional de mercadorias excede consideravelmente o dos serviços (cerca do triplo), o que reflete a natureza de alguns serviços, de difícil prestação além fronteiras.

Gráfico 1: Principais intervenientes no comércio internacional de mercadorias, 2015
(1 000 milhões de EUR)
Fonte: Eurostat (ext_lt_introle) e (ext_lt_intercc)
Gráfico 2: Taxas de cobertura no comércio internacional de mercadorias, 2005 e 2015
(%)
Fonte: Eurostat (ext_lt_introle) e (ext_lt_intercc)
Gráfico 3: Balança comercial no comércio internacional de mercadorias, 2005 e 2015
(1 000 milhões de EUR)
Fonte: Eurostat (ext_lt_introle) e (ext_lt_intercc)
Gráfico 4: Quotas no mercado mundial das exportações de mercadorias, 2015
(% das exportações mundiais)
Fonte: Eurostat (ext_lt_introle)
Gráfico 5: Quotas no mercado mundial das importações de mercadorias, 2015
(% das importações mundiais)
Fonte: Eurostat (ext_lt_introle)
Gráfico 6: Desenvolvimento do comércio internacional de mercadorias, UE-28, 2006–2016
(1 000 milhões de EUR)
Fonte: Eurostat (ext_lt_intertrd)
Gráfico 7: Comércio de mercadorias extra-UE-28, 2016
(% das exportações/importações da UE-28)
Fonte: Eurostat (ext_lt_intratrd)
Gráfico 8: Comércio de mercadorias intra-UE-28, 2016
(% das expedições/chegadas da UE-28)
Fonte: Eurostat (ext_lt_intratrd)
Gráfico 9: Comércio de mercadorias intra e extra-UE-28, 2016
(importações + exportações, % do comércio total)
Fonte: Eurostat (ext_lt_intratrd)
Gráfico 10: Comércio de mercadorias extra-UE-28 por principais parceiros comerciais, UE-28, 2006 e 2016
(1 000 milhões de EUR)
Fonte: Eurostat (ext_lt_maineu)
Gráfico 11: Principais parceiros comerciais nas exportações de mercadorias, UE-28, 2016
(% das exportações extra-UE-28)
Fonte: Eurostat (ext_lt_maineu)
Gráfico 12: Principais parceiros comerciais nas importações de mercadorias, UE-28, 2016
(% das importações extra-UE-28)
Fonte: Eurostat (ext_lt_maineu)
Gráfico 13: Comércio extra-UE-28 por principais produtos, UE-28, 2011 e 2016
(1 000 milhões de EUR)
Fonte: Eurostat (ext_lt_intertrd)
Gráfico 14: Principais exportações por produto, UE-28, 2011 e 2016
(% das exportações extra-UE-28)
Fonte: Eurostat (ext_lt_intratrd)
Gráfico 15: Principais importações por produto, UE-28, 2011 e 2016
(% das importações extra-UE-28)
Fonte: Eurostat (ext_lt_intratrd)
Gráfico 16: Principais exportações e importações por produto, UE-28, 2016
(% das exportações/importações extra-UE-28)
Fonte: Eurostat (ext_lt_intratrd)

Principais resultados estatísticos

Principais intervenientes globais no comércio internacional de mercadorias

A UE-28, a China e os Estados Unidos são os três maiores intervenientes globais no comércio internacional (ver Gráfico 1) desde 2004, quando a China ultrapassou o Japão. Em 2015, o nível total do comércio de mercadorias (exportações e importações) registado para a UE-28, a China e os Estados Unidos foi quase idêntico, atingindo 3 633 mil milhões de EUR nos Estados Unidos, o que foi 61 mil milhões de EUR mais elevado do que para a China e 115 mil milhões de EUR acima do nível registado para a UE-28 (de salientar que o último não inclui o comércio intra-UE); o Japão registou o quarto nível mais elevado do comércio de mercadorias, com 1 127 mil milhões de EUR.

Em 2015, o rácio de exportações/importações (taxa de cobertura) foi particularmente favorável às exportações para a Rússia, Noruega e China (ver Gráfico 2), ao passo que em termos absolutos, a China e a Rússia tiveram os maiores excedentes comerciais anuais desde 2005; em 2015, os Estados Unidos tiveram o maior défice (ver Gráfico 3), continuando um padrão que tem sido evidente ao longo de toda a década passada, para a qual estão disponíveis dados.

Analisando os fluxos de exportação e importação, a UE-28 teve a segunda maior quota das exportações e importações globais de mercadorias (ver Gráficos 4 e 5) em 2015: as exportações de mercadorias da UE-28 equivaleram a 15,5 % do total mundial, e foram ultrapassadas em 2014, pela primeira vez, desde a criação da UE, pelas da China (16,1 % em 2014 e 17,8 % em 2015), mas ainda atrás dos Estados Unidos (13,4 %); os Estados Unidos tiveram uma quota de importações mundiais (17,4 %) superior à da UE-28 (14,5 %) e da China (12,7 %).

Comércio de mercadorias extra-UE

O comércio internacional de mercadorias da UE-28 com o resto do mundo (soma das exportações e importações extra-UE) foi avaliado em 3 453 mil milhões de euros em 2016 (ver Gráfico 6). Tanto as importações como as exportações foram marginalmente inferiores em comparação com 2015, correspondendo a queda das exportações (44 mil milhões de EUR) aproximadamente ao dobro da registada para as importações (21 mil milhões de EUR). Em consequência, o excedente comercial da UE-28 permaneceu positivo, mas baixou de 60 mil milhões de EUR em 2015 para 38 mil milhões de EUR em 2016.

Depois de ter registado uma descida acentuada, tanto nas exportações como nas importações, em 2009, a UE-28 viu as suas exportações aumentar 58,7 % ao longo de quatro anos para um nível recorde de 1 736 mil milhões de EUR, em 2013. As exportações baixaram 1,9 %, em 2014, antes de subirem 5,1 % para um novo pico em 2015, de 1 789 mil milhões de EUR, e depois diminuírem outra vez 2,4 % em 2016. Em contrapartida, o aumento das importações após 2009 foi de 45,6 % ao longo de três anos para atingir um pico, em 2012, de 1 799 mil milhões de EUR. As importações diminuíram 6,2 % em 2013, antes da estabilização (até 0,3 %) em 2014, de um aumento de 2,2 % em 2015 e, depois, de uma diminuição de 1,2 % em 2016, quando o seu nível ainda foi inferior ao valor registado em 2012.

Entre os Estados-Membros da UE, a Alemanha teve, de longe, a maior percentagem no comércio extra-UE-28 em 2016, tendo sido responsável por 28,7 % das exportações de mercadorias da UE-28 para países terceiros e por quase um quinto (18,8 %) das suas importações (ver Gráfico 7). Os seguintes três maiores exportadores, o Reino Unido (11,1 %), a Itália (10,5 %) e a França (também 10,5 %), mantiveram-se em 2015 (embora as exportações extra-UE-28 da Itália excedessem as da França) e foram os únicos a representar uma percentagem de dois dígitos das exportações da UE-28. O Reino Unido (16,6 %), os Países Baixos (14,2 %), a França (9,4 %) e a Itália (8,4 %) seguiram a Alemanha no ranking dos maiores importadores de mercadorias provenientes de países terceiros, em 2016. A percentagem relativamente elevada dos Países Baixos explica-se, pelo menos em parte, pelo importante fluxo de mercadorias que transitam pelo porto de Roterdão, que é o maior porto marítimo da UE. Em 2016, o maior excedente comercial extra-UE-28 de mercadorias, avaliado em 180,9 mil milhões de EUR, foi registado pela Alemanha, seguida da Itália (39,9 mil milhões de EUR) e da Irlanda (34,5 mil milhões de EUR). Os maiores défices do comércio de mercadorias extra-UE registaram-se nos Países Baixos (115,9 mil milhões de EUR) e no Reino Unido (89,7 mil milhões de EUR).

Comércio de mercadorias intra-UE

O comércio de mercadorias entre os Estados-Membros da UE (comércio intra-UE) foi avaliado, em termos de expedições, em 3 110 mil milhões de EUR em 2016. Este valor foi 78 % superior ao nível registado para as exportações que saem da UE-28 para países terceiros, de 1 745 mil milhões de EUR (comércio extra-UE).

O comércio intra-UE-28 — novamente medido em termos de expedições — aumentou 1,3 % em toda a UE-28, entre 2015 e 2016; este foi o sétimo aumento anual consecutivo desde 2009. Considerando as chegadas e as expedições em conjunto, os maiores aumentos no comércio intra-UE em 2016 registaram-se no Chipre (11,2 %), na Roménia (7,0 %) e na Croácia (5,7 %), ao passo que Malta (-7,7 %), Luxemburgo (-4,8 %), Reino Unido (-4,3 %), Finlândia (-1,4 %), Bélgica (-0,5 %) e Lituânia (-0,1 %) foram os únicos Estados-Membros da UE a registar uma redução no nível de comércio intra-UE em 2016.

Quanto ao comércio extra-UE-28, em 2016, a Alemanha era igualmente Estado-Membro da UE com o maior nível de comércio intra-UE-28, contribuindo com 22,8 % % das expedições de mercadorias da UE-28 para outros Estados-Membros e, igualmente, pouco mais de um quinto (20,9 %) das chegadas de mercadorias da UE-28 provenientes de outros Estados-Membros (ver Gráfico 8). Os Países Baixos (12,5 %) foram o outro único Estado-Membro a contribuir com mais de um décimo das expedições intra-UE, novamente uma consequência do efeito de Roterdão, ao passo que a França (11,8 %) e o Reino Unido (9,6 %) representaram mais de um décimo das chegadas intra-UE-28.

A importância do mercado interno da UE está patente no facto de que o comércio de mercadorias intra-UE (expedições e chegadas combinadas) foi superior ao comércio extra-UE (exportações e importações combinadas) para todos os Estados-Membros da UE, com as exceções de Malta e do Reino Unido que estiveram muito equilibrados (ver Gráfico 9). A percentagem do comércio total de mercadorias resultante dos fluxos intra-UE e extra-UE variou consideravelmente entre os Estados-Membros, o que reflete, em certa medida, os laços históricos e a localização geográfica. As percentagens mais elevadas de comércio intra-UE (cerca de 80 % do comércio total) foram registadas para a Estónia, Luxemburgo, Hungria, República Checa e Eslováquia, tendo esta percentagem descido para 49,3 % no Reino Unido.

Principais parceiros no comércio de mercadorias

Entre 2006 e 2016, a evolução das exportações de mercadorias da UE-28 por principal parceiro comercial variou consideravelmente. Entre os principais parceiros comerciais, a taxa de crescimento mais elevada foi registada nas exportações para a China que quase triplicaram, enquanto as exportações para a Coreia do Sul quase duplicaram (ver Gráfico 10). As exportações para a Noruega e o Japão registaram um crescimento mais lento e foram 26 % e 30 % superiores em 2016 às verificadas em 2006, ao passo que não se registou alteração no nível das exportações da UE-28 para a Rússia no período em consideração.

Do lado das importações, entre 2006 e 2016, a UE-28 registou uma diminuição do valor das suas importações de mercadorias provenientes do Japão (-15 %), Rússia (-17 %) e Noruega (-23 %); relativamente aos dois últimos países, estas alterações refletem, pelo menos em parte, variações nos preços do petróleo e do gás. Os maiores aumentos registaram-se nas importações provenientes da China (76 %), Índia (74 %) e Suíça (70 %).

Os Estados Unidos continuaram a ser, de longe, o destino mais comum para as mercadorias exportadas da UE-28 em 2016 (ver Gráfico 11), embora a respetiva quota tenha diminuído de 28,0 % do total, em 2002, para 16,7 %, em 2013, antes de recuperar para 20,8 % em 2016. A China foi o segundo mercado de destino mais importante para as exportações da UE-28 em 2016 (9,7 % do total da UE-28), seguido da Suíça (8,2 %). Em 2015, a Turquia ultrapassou a Rússia passando a ser o quarto maior destino das exportações de mercadorias da UE-28. Esta tendência manteve-se em 2016 quando a Turquia representou 4,5 % das exportações da UE-28 . Os sete maiores mercados de destino das exportações de mercadorias da UE-28 — Estados Unidos, China, Suíça, Turquia, Rússia, Japão e Noruega — representaram mais de metade (53,4 %) de todas as exportações de mercadorias da UE-28.

Os sete maiores fornecedores de importações de mercadorias da UE-28 foram os mesmos países dos sete maiores mercados de destino das exportações da UE-28, embora a sua ordem tenha sido ligeiramente diferente (comparar os Gráficos 11 e 12). Estes sete países representaram uma quota das importações de mercadorias da UE-28 maior do que das exportações de mercadorias: cerca de três quintos (60,2 %) de todas as importações de mercadorias para a UE-28 eram provenientes desses sete países. A China foi a origem de mais de um quinto (20,2 %) de todas as importações para a UE-28, em 2016, e foi o maior fornecedor de mercadorias importadas para a UE-28. A quota dos Estados Unidos nas importações de mercadorias da UE-28 (14,5 %) foi cerca de seis pontos percentuais inferior à da China, ao passo que as quotas da Suíça (7,1 %) e da Rússia (7,0 %), que eram o terceiro e o quarto maiores fornecedores de mercadorias para a UE-28, foram ainda menores em sete pontos percentuais. A Turquia foi o quinto maior fornecedor de importações de mercadorias da UE-28, seguida de perto do Japão e da Noruega.

Análise dos principais grupos de produtos

Entre 2011 e 2016, o valor das exportações extra-UE dos 28 Estados-Membros da UE aumentou para a maioria dos grupos de produtos indicados no Gráfico 13, embora houvesse duas exceções: exportações de matérias-primas (que caíram no global 5,1 %) e exportações de combustíveis minerais e produtos lubrificantes (que caíram 26,0 %). A taxa de crescimento mais elevada das exportações foi registada para os produtos alimentares, bebidas e tabaco, nas quais se observou um aumento de 31,0 %. Verificou-se também um aumento relativamente rápido no nível das exportações extra-UE de produtos químicos e produtos afins (até 23,1 %), enquanto também foram registadas taxas de crescimento de dois dígitos para maquinaria e equipamento de transporte e outros produtos manufaturados.

Do lado das importações, observou-se uma tendência semelhante, com uma redução global relativamente grande no nível das importações extra-UE de matérias-primas (-20,2 %) e de combustíveis minerais e produtos lubrificantes (-46,6 %) entre 2011 e 2016; É de notar que algumas das perdas podem atribuir-se a variações de preços e/ou flutuações das taxas de câmbio, com os preços de muitas matérias-primas e do petróleo a serem fixados nos mercados globais em dólares americanos. Em contrapartida, as importações extra-UE de maquinaria e equipamento de transporte aumentou 24,9 % no global entre 2011 e 2016. Registaram-se também taxas de crescimento relativamente elevadas para os produtos alimentares, bebidas e tabaco (19,1 %) e para os produtos químicos e produtos afins (18,9 %).

O excedente comercial de mercadorias extra-UE dos 28 Estados-Membros da UE, no valor de 37,7 mil milhões de EUR em 2016, resultou de uma balança comercial positiva no que se refere a maquinaria e equipamento de transporte, que se situou nos 193,1 mil milhões de EUR, e no que se refere a produtos químicos e produtos afins (129,1 mil milhões de EUR). Entre 2011 e 2016, a UE-28 registou um aumento do excedente comercial no que se refere a produtos químicos e produtos afins, ao passo que o excedente referente a maquinaria e equipamento de transporte diminuiu ligeiramente. Em relação aos produtos alimentares, bebidas e tabaco, a UE-28 passou de um pequeno défice comercial em 2011 para um excedente comercial ligeiramente maior em 2016. Em 2016, o maior défice comercial ocorreu nos combustíveis minerais e produtos lubrificantes onde as importações excederam as exportações em 190,0 mil milhões de EUR. Os défices comerciais da UE-28 no que se refere a combustíveis minerais, produtos lubrificantes e matérias-primas baixaram consideravelmente durante o período de 2011 a 2016, assistindo-se a uma redução de mais de metade no défice do primeiro durante este período de cinco anos. Em contrapartida, aumentou o défice comercial da UE-28 relativamente aos produtos manufaturados, atingindo 53,5 mil milhões de EUR em 2016, pelo que é 3,5 % mais elevado do que em 2011.

A estrutura das exportações de mercadorias da UE-28 alterou-se entre 2011 e 2016, sobretudo nos grupos de produtos mais pequenos (ver Gráfico 14). A percentagem de produtos alimentares, bebidas e tabaco aumentou, passando de 5,7 % para 6,6 % entre estes anos, enquanto a percentagem de combustíveis minerais e produtos lubrificantes diminuiu, passando de 6,4 % para 4,2 %.

Entre 2011 e 2016, a maior variação da estrutura das importações da UE-28 ocorreu para os combustíveis minerais e produtos lubrificantes, cuja quota diminuiu de 28,6 % para 15,5 % (ver Gráfico 15). Em contrapartida, durante o mesmo período, a quota de outros produtos manufaturados aumentou de 23,3 % para 26,3 %, enquanto a percentagem de maquinaria e equipamento de transporte aumentou de 25,6 % para 32,3 %.

O Gráfico 16 confronta a estrutura das importações e das exportações da UE-28, em 2016: deve ser tido em conta que o nível global das exportações foi 2,2 % superior ao das importações. A diferença mais significativa diz respeito à quota de combustíveis minerais e produtos lubrificantes que foi 3,6 vezes mais elevada para as importações do que para as exportações. Esta situação foi compensada por quotas de importação inferiores para a maquinaria e equipamento de transporte e para produtos químicos e produtos afins.

Fontes e disponibilidade de dados

As estatísticas do comércio internacional de mercadorias medem o valor e a quantidade de mercadorias que são objeto de trocas comerciais entre os Estados-Membros da UE (comércio intra-UE) e de produtos comercializados pelos Estados-Membros da UE com países terceiros (comércio extra-UE). Estas estatísticas constituem a fonte oficial de informação sobre importações, exportações e balança comercial na UE, nos seus Estados-Membros e na zona euro.

As estatísticas são publicadas para cada país declarante no que respeita a cada país parceiro e referem-se às várias classificações de produtos. Uma das classificações mais utilizadas é a Classificação Tipo do Comércio Internacional (CTCI Rev. 4) das Nações Unidas (ONU), que permite uma comparação das estatísticas do comércio externo à escala mundial.

Nas estatísticas do comércio extra-UE, os dados referentes à UE-28 tratam esta entidade como um único bloco comercial. Por outras palavras, os dados relativos às exportações dizem respeito unicamente às exportações da UE-28 que saem deste bloco comercial e se destinam ao resto do mundo, enquanto as importações extra-UE se referem às importações provenientes do resto do mundo (países terceiros) para a UE-28. Em contrapartida, na comunicação dos dados relativos a cada Estado-Membro, os fluxos de comércio externo são, em geral, apresentados em termos de fluxos de comércio mundial (incluindo os parceiros extra-UE e intra-UE). As estatísticas do comércio entre os Estados-Membros (comércio intra-UE) abrangem as chegadas e as expedições de mercadorias registadas por cada Estado-Membro.

Os valores estatísticos do comércio extra-UE e do comércio intra-UE são registados com o seu valor FOB (franco a bordo) para as exportações/expedições e o respetivo valor de custo, seguro e frete (CIF) para as importações/chegadas. Os valores comunicados incluem apenas os custos subsidiários (frete e seguro) relativos às exportações/expedições, para o percurso no território do Estado-Membro de onde as mercadorias são expedidas/exportadas e, no caso das chegadas/importações, para o percurso fora do território do Estado-Membro em que as mercadorias são importadas/entram.

Os dados da UE são provenientes da base de dados COMEXT do Eurostat, a base de dados de referência para o comércio internacional de mercadorias. Fornece acesso não só aos dados recentes e históricos dos Estados-Membros da UE, mas também a estatísticas de um número significativo de países terceiros. As estatísticas agregadas e detalhadas para o comércio internacional de mercadorias que são divulgadas através do sítio Web do Eurostat são compiladas da COMEXT todos os meses. Como a COMEXT é atualizada diariamente, os dados publicados no sítio Web podem diferir dos dados que se encontram na COMEXT (no caso de revisões recentes).

Contexto

As estatísticas do comércio internacional de mercadorias são amplamente utilizadas pelos responsáveis políticos ao nível internacional, nacional e da UE. As empresas podem utilizar os dados do comércio internacional para realizar estudos de mercado e definir a sua estratégia comercial. As estatísticas do comércio internacional de mercadorias são também utilizadas pelas instituições da UE para a preparação das negociações comerciais multilaterais e bilaterais, a definição e aplicação das políticas anti-dumping, para a política monetária e macroeconómica e na avaliação da evolução do mercado único ou da integração das economias europeias.

O desenvolvimento do comércio pode ser uma oportunidade de crescimento económico. A UE tem uma política comercial comum, no âmbito da qual a Comissão Europeia negoceia acordos comerciais e representa os interesses da UE em nome dos seus 28 Estados-Membros. A Comissão Europeia consulta os Estados-Membros da UE através de um comité consultivo que aborda todo o leque das questões de política comercial que afetam a UE, incluindo os instrumentos multilaterais, bilaterais e unilaterais. Como tal, a política comercial é da exclusiva competência da UE, pelo que só a UE, e não os Estados-Membros a título individual, pode legislar em questões de comércio e celebrar acordos de comércio internacional. Mais recentemente, o âmbito das competências da UE ultrapassou o comércio de mercadorias, para abranger o comércio de serviços, a propriedade intelectual e o investimento estrangeiro direto.

Ao nível mundial, as questões comerciais multilaterais são tratadas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). A OMC tem 164 membros (desde março de 2017), havendo vários candidatos em processo de adesão. A OMC estabelece as regras mundiais do comércio e constitui um fórum para negociações comerciais e para a resolução de litígios entre os membros. A Comissão Europeia negoceia com os seus parceiros da OMC, tendo participado na última ronda de negociações comerciais multilaterais no âmbito da OMC, conhecida por Agenda de Doa para o Desenvolvimento (ADD). No entanto, depois de não terem sido cumpridos os prazos para a conclusão destas negociações em 2005, nem em 2006, a ronda de negociações de Doa conheceu novo insucesso numa reunião da OMC, em julho de 2008. Em dezembro de 2013, registaram-se progressos em alguns domínios com a adoção, em Bali (Indonésia), de um pacote de acordos, incluindo medidas para a facilitação do comércio, um compromisso de redução dos subsídios de exportação na agricultura, e outras questões relacionadas com o desenvolvimento, tais como a segurança alimentar nos países em desenvolvimento. Em dezembro de 2015, na 10.ª Conferência Ministerial de membros da OMC, em Nairobi, foi alcançado um acordo sobre uma série de iniciativas comerciais que visava beneficiar, em especial, os membros mais pobres da organização. O acordo incluiu o compromisso de suprimir os subsídios à exportação de produtos agrícolas.

A UE está a tentar negociar um acordo de comércio e investimento com os Estados Unidos — a Parceria Transatlântica de Comércio e investimento (PTCI); espera-se que os acordos futuros proporcionem um estímulo para o crescimento económico em ambas as regiões. Em fevereiro de 2017, o Parlamento Europeu votou a favor do Acordo Económico e Comercial Global (CETA) entre a UE e o Canadá (este acordo tem de ser ratificado pelos parlamentos nacionais dos Estados-Membros da UE antes de poder produzir efeitos).

Ver também

Mais informações do Eurostat

Visualização de dados

Principais quadros

Indicadores de longo prazo do comércio internacional de mercadorias (t_ext_go_lti)
Indicadores de curto prazo do comércio internacional de mercadorias (t_ext_go_sti)

Base de dados

Dados agregados do comércio internacional de mercadorias (ext_go_agg)
Indicadores de longo prazo do comércio internacional de mercadorias (ext_go_lti)
Indicadores de curto prazo do comércio internacional de mercadorias (ext_go_sti)
Dados pormenorizados do comércio internacional de mercadorias (pormenor)

Secção especial

Metodologia / Metainformação

Fonte dos dados para os quadros e os gráficos (MS Excel)

Outras informações — Fundamentos Legais

  • Regulamento (CE) n.º 471/2009 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 6 de maio de 2009, relativo às estatísticas comunitárias do comércio externo com países terceiros
  • Regulamento (CE) n.º 92/2010 da Comissão, de 2 de fevereiro de 2010 , que aplica o Regulamento (CE) n.º 471/2009 do Parlamento Europeu e do Conselho, no que respeita ao intercâmbio de dados entre as autoridades aduaneiras e as autoridades estatísticas nacionais, à compilação de estatísticas e à avaliação da qualidade
  • Regulamento (CE) n.º 113/2010 da Comissão, de 9 de Fevereiro de 2010, que aplica o Regulamento (CE) n.º 471/2009 do Parlamento Europeu e do Conselho, no que diz respeito à cobertura do comércio, à definição dos dados, à compilação de estatísticas sobre o comércio segundo as características das empresas e a moeda de faturação, bem como a bens e movimentos especiais.
  • Regulamento (CE) n.º 638/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 31 de março de 2004, relativo às estatísticas comunitárias sobre as trocas de bens entre Estados-Membros e que revoga o Regulamento (CEE) n.º 3330/91 do Conselho.
  • Regulamento (CE) n.º 1982/2004 da Comissão de 18 de Novembro de 2004 que aplica o Regulamento (CE) n.º 638/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho relativo às estatísticas comunitárias sobre as trocas de bens entre Estados-Membros e que revoga os Regulamentos (CE) n.º 1901/2000 e (CEE) n.º 3590/92 da Comissão.

Ligações externas