Declaração
da Alta Representante Catherine Ashton, em nome da União Europeia, por ocasião
do Dia Internacional das Nações Unidas para o Apoio às Vítimas da Tortura,
em
26 de Junho de 2011
Hoje, Dia Internacional das Nações Unidas para
o Apoio às Vítimas da Tortura, a UE decide intensificar os seus esforços no
sentido de garantir um mundo sem torturas e outros tratos ou penas cruéis,
desumanos ou degradantes.
A tortura é uma abominação da nossa
humanidade, da nossa dignidade e dos nossos valores e seja em que
circunstâncias for não pode ser admitida.
A proibição universal da tortura está
firmemente enraizada no direito internacional. Deve ser eliminada e – no caso
de descobrirmos que ainda existe – devemos fazer tudo ao nosso alcance para
devolver as vítimas a um estado de saúde tanto física como mental. Os Estados
devem tomar medidas eficazes, determinadas e persistentes para prevenir e
combater todos os actos de tortura e outros tratos ou penas cruéis, desumanos
ou degradantes. Devem igualmente
assegurar que os responsáveis por esses actos são submetidos à Justiça. A União
Europeia insta todos os Estados a nível mundial a seguir os seus 27 Membros que
aderiram à Convenção de 1984 contra a tortura e outras penas ou tratamentos
cruéis, desumanos ou degradantes. Actualmente, cerca de 50 países em todo o
mundo ainda não são partes na Convenção, devendo ainda cerca de metade das 150
partes tornar-se signatários plenos. A União Europeia insta também esses
Estados a aderirem ao Protocolo Facultativo da Convenção que permite a
realização de visitas independentes e o controlo de torturas. Todos os
Estados-Membros têm a obrigação de garantir que as vítimas da tortura obtêm uma
reparação e indemnização justa e adequada e recebem reabilitação adequada. A UE
também encoraja vivamente os Estados que são partes neste Protocolo a tomar
medidas eficazes para estabelecer mecanismos de prevenção nacionais
independentes para a prevenção da tortura em locais de detenção.
A UE insta igualmente os países a reconhecerem
o papel e a autoridade do Comité Contra a Tortura, na recepção e tratamento das
comunicações individuais. Se os Estados emitiram reservas oficiais sobre o
trabalho do Comité, a UE apela a que todos as retirem.
A União Europeia utiliza há muito o seu peso
político — e os seus recursos financeiros — no combate e prevenção da tortura e
na reabilitação das vítimas da tortura. Através do Instrumento Europeu para a
Democracia e os Direitos Humanos, é a maior fonte mundial de financiamento de
projectos realizados por organizações da sociedade civil para a reabilitação
das vítimas da tortura e combate à tortura em todo o mundo. Entre 2007 e 2010
despendeu cerca de 50 milhões de euros em mais de 80 projectos em todo o
mundo. Por exemplo, apoiou uma grande campanha para fazer compreender melhor e
aumentar a sensibilização para a tortura e os maus-tratos de pessoas com
deficiências físicas e mentais.
Na Assembleia-Geral das Nações Unidas e no Conselho dos
Direitos Humanos das Nações Unidas, a UE continuará a apoiar a luta contra a
tortura. A União Europeia apoia plenamente o papel de liderança das Nações
Unidas. Os Estados-Membros da UE sempre apoiaram as resoluções da ONU neste
contexto. A UE congratula-se com a nomeação de Juan Méndez como novo relator
especial das Nações Unidas sobre a tortura e com o trabalho do Alto
Comissariado para os Direitos do Homem, do Comité contra a tortura e do
Subcomité para a Prevenção da Tortura e o Fundo voluntário das Nações Unidas
para as vítimas da tortura.
A UE também presta homenagem aos esforços
persistentes e muitas vezes heróicos de um grande número de ONG e de indivíduos
para prevenir a tortura e para atenuar o sofrimento das suas vítimas. A UE
sabe, tal como Mahatma Gandhi, que a tortura nunca conseguirá os seus
objectivos: «Podem prender-me, podem torturar-me, pode mesmo destruir este
corpo, mas nunca conseguirão dominar o meu espírito». Enquanto a tortura
persistir, combateremos esse flagelo: um mundo sem tortura é nosso objectivo
comum.