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História


A Guiné-Bissau foi em tempos o reino de Gabú (Kansalá), parte do Império do Mali. Certas partes do reino viriam a sobreviver até ao século XVIII. Mas o primeiro império a invadir o território foi o do Gana, por volta do século V. Apesar de animistas, os invasores estabeleceram relações amistosas com os árabes do Magreb e foram tolerantes com o islamismo. Alguns foram convertidos à religião muçulmana e apelidados de almorávidas. Estes, no século XI, empreenderam uma “guerra santa” a partir do Senegal, tendo-se expandido até à Península Ibérica. Acabaram por destruir o império do Gana e libertaram muitos povos que estavam dominados, como os Mandingas, os quais iriam invadir o actual território da Guiné no século XIII.

Nesse mesmo século XIII, chegam a esta região da costa ocidental de África os povos Naulu e Landurna, na sequência do declínio do império do Gana. É já no século XIV que esta zona passa a integrar o vasto império do Mali.

Os portugueses chegaram à actual Guiné em 1446 na sua exploração da Costa Africana. O conceito de Guiné do século XV era muito amplo uma vez que abrangia grande parte da África Ocidental a Sul do Cabo do Bojador, que tinha sido dobrado em 1434 por Gil Eanes. Em 1466, a Coroa portuguesa concedeu a administração da Guiné, desde o Rio Senegal até à Serra Leoa, com excepção das ilhas de Arguim aos capitães de Cabo Verde. Os espanhóis tentaram, em vão, conquistar esta região até se assinar o Tratado de Alcáçovas em 1480. No segundo quartel do século XVI há uma grande intervenção da pirataria e traficantes franceses, a que se seguiram os ingleses. Durante a dinastia filipina em Portugal (1580-1640) aparecem também os holandeses.

A primeira povoação a ser criada foi Cacheu, em 1588, que se tornou mais tarde na sede das primeiras autoridades coloniais de nomeação régia - os capitães-mor. Cacheu, depois da Cidade Velha na ilha de Santiago em Cabo-Verde, tem uma das mais antigas igrejas católicas do Continente africano. Em 1630 foi criada a Capitania-Geral da Guiné Portuguesa para a administração do território. A vila de Bissau foi fundada em 1697, como fortificação militar e entreposto de tráfico negreiro.

Em meados do século XVII, a ocupação portuguesa estende-se pelos rios Casamansa, Cacheu, Geba e Buba. Sucede-se até ao século XIX um período de conflitos entre Portugal, a Inglaterra e a França pela posse destes e de outros territórios da Costa Ocidental de África. Pela Convenção de 1836, Portugal cede à França territórios que virão a constituir a África Ocidental Francesa. O fim da escravatura, o principal negócio da região, levou a que fosse desenvolvida a agricultura e silvicultura, onde operaram grandes companhias que exploravam o amendoim, óleo de palma, algodão e a borracha.

Em 1800 a Inglaterra começa a fazer sentir a sua influência na Guiné, iniciando a sua reivindicação pela tutela da ilha de Bolama, arquipélago dos Bijagós, Buba e todo o litoral em frente. Em 1870, por arbitragem do presidente dos EUA, Ulysses Grant, a Inglaterra desiste das suas pretensões sobre Bolama e zonas adjacentes.

Em 1879 a Guiné passa a ter um governo próprio. Até aí estava sob jurisdição de Cabo-Verde (Os Rios Grandes da Guiné de Cabo-Verde). Embora os rios e as costas desta área estivessem entre os primeiros locais colonizados pelos portugueses que aí iniciaram o tráfico de escravos com a instalação de feitorias no século XVII, o interior não foi explorado pelos colonizadores até ao século XIX.

Bolama fica localizada na ilha homónima, sucedendo ao antigo concelho criado em 1871 pelos portugueses. Bolama foi elevada à categoria de cidade em 1913 e foi a capital da antiga Guiné Portuguesa até 1941. Em 1942 a capital muda de Bolama para Bissau, que já então era, de facto, a “capital económica” da Guiné.
 

A luta pela independência

Nos anos 1950, no quadro da longa história de resistência à ocupação colonial, as ideias independentistas começam a ganhar apoios nalgumas camadas urbanas, traduzidos, em 1956, na criação do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), fundado por Amílcar Cabral.

De entre os movimentos reivindicativos da década de 50, a greve dos marinheiros e estivadores do porto de Bissau, foi violentamente reprimida a 3 de Agosto de 1959, no que ficou para história como o “massacre de Pindjiguiti” e ao qual o PAIGC atribuiu o papel de detonador da reviravolta estratégica que passou a tomar a luta armada como único meio possível para obter a independência da Guiné e Cabo Verde.

A guerra de libertação inicia-se em 1963, tendo a guerrilha do PAIGC rapidamente alargado as frentes de combate e ocupado e administrado, em 1968, cerca de 2/3 do território.

Política e militarmente bem organizado, o PAIGC conquistou um capital de simpatia importante nos fóruns internacionais e em países como a Suécia, URSS, China, Marrocos e Guiné-Conakry, nos meios intelectuais e junto de diversas forças sociais e políticas e da juventude dos países da Europa Ocidental e dos Estados Unidos, o que permitiu obter apoios materiais e logísticos decisivos e importantes vitórias diplomáticas como as intervenções de Amílcar Cabral na Comissão de Descolonização da ONU e a audiência conjunta concedida pelo Papa Paulo VI, no Vaticano, aos líderes da FRELIMO, do MPLA e do PAIGC.

A 20 de Janeiro de 1973 é assassinado, em Conakry, Amílcar Cabral. Três meses após o seu assassínio, é desencadeada a “Operação Amílcar Cabral”, cujo objectivo era o de ocupar o quartel de Guiledje, o mais bem fortificado da frente Sul, na certeza de que a sua queda iria acelerar o fim da presença colonial na Guiné. A 22 de Maio de 1973 o quartel é conquistado. Quatro meses depois, a 24 de Setembro de 1973, reunia-se em Madina do Boé a primeira Assembleia Nacional Popular que declarava a existência de um Estado Soberano, a República da Guiné-Bissau, rapidamente reconhecida por 63 países da comunidade internacional. A independência chegou com a Revolução dos Cravos portuguesa de 1974. A 10 de Setembro de 1974, Guiné-Bissau foi a primeira colónia portuguesa de África a ter reconhecida a sua independência. Luís Cabral é então eleito primeiro Presidente da República.


O governo de partido único do PAIGC

O irmão de Amílcar Cabral, Luís de Almeida Cabral, foi empossado como o primeiro presidente da República da Guiné-Bissau. Instituiu-se um governo de partido único de orientação marxista controlado pelo PAIGC e favorável à fusão com Cabo Verde. O governo de Luís Cabral enfrentou sérias dificuldades que chegaram a provocar a escassez de alimentos no país. Luís Cabral foi deposto em 1980 por um golpe militar liderado pelo general João Bernardo Vieira, quadro superior do PAIGC. Com o golpe, a ala cabo-verdiana do PAIGC separa-se da ala guineense do partido, o que faz malograr o plano de fusão política entre Guiné-Bissau e Cabo Verde. Ambos os países romperam relações, que somente seriam reatadas em 1982.

O país foi controlado por um conselho revolucionário até 1984, ano em que a Guiné-Bissau aprovou a sua actual Constituição. A transição democrática iniciou-se em 1990. Em Maio de 1991, o PAIGC deixou de ser o partido único com a adopção do pluripartidarismo. As primeiras eleições multipartidárias tiveram lugar em 1994 tendo o PAIGC obtido a maioria na Assembleia Nacional Popular sendo João Bernardo Vieira eleito Presidente da República. Nesse ano o país faria a transição para um sistema de economia de mercado através do Ministro Manuel dos Santos


Guerra civil e instabilidade política

Uma insurreição militar, em Junho de 1998, liderada pelo general Ansumane Mané, levou à deposição do presidente Vieira e a uma sangrenta guerra civil. Mais de 3 mil pessoas fogem do país. O conflito somente se encerrou em Maio de 1999, quando Ansumane Mané entregou a presidência provisória do país ao líder do PAICG, Malam Bacai Sanhá, que convocou eleições gerais.

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