Vida ecológica
Embora as nossas casas sejam capazes de consumir enormes quantidades de energia e produzir grandes quantidades de emissões de dióxido de carbono, essa tendência pode ser alterada. A construção com técnicas de eficiência energética pode diminuir as nossas pegadas ecológicas.
O arquitecto dinamarquês Olav Langenkamp e a família mudaram-se para a sua nova casa há poucos meses – uma caixa negra atraente instalada entre pinheiros e virada para um enorme horizonte verde. No entanto, além do seu aspecto atraente e uma óptima localização, a casa apresenta credenciais em termos ecológicos. Consome 80% menos energia que uma casa normal de dimensões idênticas, facto que provoca uma poupança de duas toneladas de emissões de dióxido de carbono por ano.
Quando Olav Langenkamp decidiu projectar a casa em 2006, optou pelas técnicas de construção de “casa passiva” que reduzem de forma acentuada o consumo de energia. Estas técnicas incluem o posicionamento do edifício de modo a captar o calor do sol, o isolamento de espessura maior, as janelas super eficientes e um sistema de circulação de ar especial que ajuda a manter uma temperatura constante.
“Uma das tarefas mais difíceis para um arquitecto é projectar a sua própria casa”, afirmou Olav Langenkamp na 12ª Conferência Internacional sobre Casas Passivas realizada em Abril de 2008. Porém, mostrou-se determinado desde o início para que a sua casa fosse tão eficiente quanto possível. “Tinha de ser uma casa passiva”, afirmou.
O trabalho árduo teve a devida recompensa e, dois anos mais tarde, tornou-se no primeiro edifício na Dinamarca a ser certificado como casa passiva – um conjunto voluntário de critérios que exige uma utilização muito mais baixa de energia do que as normas de edifícios tradicionais.
Embora a abordagem da casa passiva seja mais dispendiosa do que a construção normal, nos países em que o conceito está mais implantado – como a Alemanha e a Áustria – os preços estão a baixar à medida que as tecnologias e as técnicas de construção se tornam mais comuns.
Olav Langenkamp afirmou que demonstrara que era possível construir casas passivas na Dinamarca a preços razoáveis e que o projecto despertara um interesse razoável. “Há clientes potenciais que telefonam e escrevem a pedir mais informações, estando, actualmente, prestes a concretizar-se a segunda casa passiva na Dinamarca", acrescentou.
Um conceito em crescimento
O conceito teve origem na década de 1980, tendo a primeira série de edifícios sido concluída na década de 1990 em Darmstadt, Alemanha. Em 2001, o projecto financiado pela UE designado por CEPHEUS (Casas Passivas Rentáveis como Normas Europeias) tinha ajudado a construir 250 edifícios em cinco países, demonstrando a sua viabilidade comercial.
Nos últimos anos, o interesse em edifícios de baixo consumo energético cresceu em consequência das preocupações sobre as alterações climáticas e o aumento dos preços da energia. Segundo os promotores, o Passivhaus Institut, mais de 1 100 arquitectos, projectistas, construtores e elementos do público assistiram à conferência anual deste ano em Nuremberga (Alemanha) para ficarem a conhecer projectos como o de Olav Langenkamp – o que representa uma grande aumento face aos cerca de cem entusiastas que se reuniam há pouco mais de uma década.
Actualmente, há mais de 10 000 edifícios em todo o mundo certificados segundo a norma da casa passiva, entre pequenas casas individuais a edifícios de escritórios, escolas e lojas. Um grande número destes edifícios encontra-se na Alemanha e Áustria, onde o conceito teve origem, mas o interesse está em rápido crescimento noutros países.
Paralelamente, a abordagem está a ser utilizada para renovar edifícios existentes. Os projectos anteriores demonstraram que a eficiência tinha registado um aumento até dez vezes superior face ao período anterior à introdução do método, ajudando a reduzir de modo acentuado a factura da energia dos grandes edifícios públicos, como hospitais e escolas.
O conceito
As tecnologias de casas passivas cumprem uma série de princípios e não regras de concepção absolutas. Estas tecnologias incluem:
- Utilização da natureza. A “arquitectura solar passiva” implica a redução das áreas de superfície dos edifícios, com as janelas direccionadas para a linha do Equador (sul na Europa) para maximizar o ganho solar.
- Envolvimento. O super isolamento minimiza a perda térmica através das paredes, coberturas e pavimento. Dá-se especial atenção à eliminação das “pontes térmicas” – pequenas falhas nos edifícios que permitem a fuga de calor.
- Janelas de alta tecnologia. As casas passivas utilizam janelas de vidros triplos, que contêm revestimentos especiais e recebem um enchimento de gases, como o árgon ou o crípton. Em média, as janelas viradas para sul numa casa passiva no centro da Europa ganharão mais calor do que perderão, mesmo a meio do Inverno.
- Ar puro. Utiliza-se ventilação mecânica e sistemas de recuperação de calor para manter a qualidade do ar e recuperar calor suficiente para eliminar a necessidade de um sistema de aquecimento convencional. Esta solução pode utilizar também tubos enterrados que permutam calor da terra para o ar e vice-versa com vista a aquecer ou arrefecer a admissão de ar para o sistema de ventilação. Deste modo, o abastecimento de ar puro é contínuo.
- Vedação. A garantia de que todas as juntas da construção são extremamente herméticas reduz o montante de ar quente ou frio que é possível passar pela estrutura, o que permite que o sistema de ventilação mecânica recupere o calor antes de expulsar o ar.
Devido à diversidade climática da Europa, é necessário adoptar uma série de abordagens.
Outras tecnologias
Há várias outras abordagens que estão a ser utilizadas com vista a reduzir o impacto dos edifícios no ambiente, a saber:
- Os “edifícios de energia zero” geram de modo activo a sua própria energia através de turbinas ou painéis solares. Em certos países, os proprietários das casas recebem uma taxa bonificada pela electricidade que devolvem à rede eléctrica nacional.
- Há vários projectos inovadores para grandes edifícios de escritórios ou fábricas que utilizam grandes áreas da cobertura para painéis solares ou as correntes de ar à sua volta para accionar as turbinas eólicas.
- Depois de concluído, um novo bloco de escritórios de Estocolmo ganhará até 15% do calor de que necessita a partir do calor corporal dos passageiros que passam pela porta da estação central que lhe fica próxima.
- As coberturas revestidas com terra e plantas estão a tornar-se mais populares em todo o mundo. Estas “coberturas ecológicas” proporcionam isolamento suplementar e absorvem o dióxido de carbono (CO2) que provoca as alterações climáticas.
- Uma empresa de engenharia dos Países Baixos desenvolveu um sistema que retira o calor do asfalto das estradas durante o Verão. O calor é armazenado debaixo da terra e, depois, utilizado no Inverno para aquecer os edifícios vizinhos. Além disso, o sistema garante a eliminação do gelo na estrada durante o Inverno.


