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Comercializar um turismo rural de qualidade

tipo de documento: artigo
palavrras-chave:, turismo, comercialização, metodologia de desenvolvimento
fonte: cadernoLEADER
última actualização: 3 / 95


A comercialização do turismo rural: a experiência do LEADER I (*)


(*) A segunda parte deste caderno foi elaborada no âmbito do "Grupo de Trabalho LEADER sobre o Turismo Rural" cujas actividades foram coordenadas por uma comissão promotora composta por representantes de sete grupos de acção local: Ballyhoura (Irlanda), Kalabaka Pyli (Grécia), Navarra (Espanha), Préalpes Drômoises (França), Ribatejo Norte (Portugal), South Pembrokeshire (Reino Unido) e Teverina (Itália).

O primeiro capítulo retoma elementos do primeiro caderno técnico LEADER "O turismo ao serviço do desenvolvimento rural" (1993).(1993)

A sua redacção foi assegurada por Jean-Baptiste Lanaspèze, Presidente do Centro Mediterrânico do Ambiente (Avignon, França), membro do Comité de peritos da Célula de Animação e um dos principais animadores do referido grupo de trabalho.



Para uma estratégia do produto no turismo rural



Ainda que o turismo seja um sector em crescimento, o turismo de massas defronta-se actualmente com algumas dificuldades: os operadores turísticos não têm capacidade para satisfazer a clientela que nem quer ouvir falar de locais de grande concentração e que está ávida por encontrar lugares humanizados e pessoas. Trata-se de um verdadeiro filão para o turismo rural, desde que se crie uma oferta estruturada de produtos de turismo rural que responda às exigências desta clientela.



1 Uma observação: há carência de produtos de turismo rural


Apesar da tendência favorável resultante do crescimento contínuo do turismo na Europa (3% de aumento anual da frequência turística nos últimos anos) e da saturação dos locais de destino tradicionais da indústria turística, a oferta de produtos de turismo rural mantem-se relativamente fraca.


  • Existe uma carência de produtos turísticos organizados, em especial no Sul da Europa:

    Com excepção de algumas redes de reserva de alojamentos rurais e de hotelaria e da oferta do turismo social, não se pode falar de uma oferta estruturada de turismo rural que seja perceptível no mercado (não existem operadores de turismo rural nem existe um verdadeiro catálogo de oferta de produtos, exceptuando o alojamento). Na maioria dos casos os proprietários de alojamentos turisticos limitam-se a "aguardar o cliente", esperando que as políticas governamentais de promoção dêem resultado. A oferta organizada de actividades recreativas e culturais está ainda no princípio e começa exactamente a descobrir-se a montagem de produtos turísticos de carácter temático, que conjugam a estadia com a animação e que representam a tendência lucrativa do mercado.;.


  • O turismo rural continua a denotar um forte carácter sazonal, que limita a rendibilidade do investimento. Em França, a Federação Nacional das Casas Rurais anuncia uma média de ocupação de 15 semanas por ano, com uma taxa média de ocupação de 70% no período, ou seja, uma taxa anual de ocupação da ordem dos 20%.


Daqui se vê que o turismo rural, em termos globais, é um produto de baixo valor acrescentado.

As estatísticas do turismo verde em França são reveladoras deste ponto de vista: as receitas do turismo rural correspondem a 10% do consumo turístico interno em comparação com 25% da frequência; ou seja, uma facturação média do produto duas vezes e meia inferior aos outros destinos turísticos. Escusado será dizer que nestas condições os investidores e os empresários não estão muito interessados no turismo rural.


Esta observação é válida provavelmente para a maior parte das zonas LEADER e os seus esforços devem concentrar-se, antes de mais, na criação de uma oferta estruturada de produtos de turismo rural, uma vez que não serve de nada lançar políticas de promoção se não existirem os produtos; seria o mesmo que fazer publicidade para armazéns vazios.




2 As tendências do mercado;


Mesmo sendo real a crise do turismo de massas (dificuldades dos grandes operadores turísticos, confrontados com uma quebra de frequência dos locais de destino tradicionais da indústria turística, especialmente o litoral mediterrânico), os especialistas não prevêem, no entanto, transferências maciças de clientela para o turismo rural. A indústria turística continuará a manter as suas partes de mercado e terá mesmo tendência a desenvolvê-las, inventando novos produtos e adaptando os antigos.


A crise do turismo de massas demonstra sobretudo a incapacidade dos grandes produtores em conseguirem atingir as esferas da clientela individualista, que quer fugir dos locais de grande concentração e que está ávida por encontrar lugares humanizados e pessoas. Esta clientela não estruturada representa uma parte importante do mercado, especialmente no Sul da Europa. No entanto, não existe uma oferta ajustada e suficiente, porque se trata de produtos que respondem a especificações, não permitindo a sua normalização:


  • Vontade de autonomia (pequenos grupos, deslocações em viatura individual);

  • Procura do "estilo" e da autenticidade e não do acolhimento vulgar da indústria hoteleira;

  • Gosto por um turismo com conteúdo, de descoberta intelectual e que busca o contacto com o habitante;

  • Procura muito orientada para o período "fora de estação" e estadias curtas (sexta-feira, sábado e domingo ou uma semana, no máximo), de preferência a curta distância.


E nestes segmentos de clientela e neste estilo de produto muito personalizado e de carácter artesanal que as zonas rurais hoje em dia se podem posicionar. Algumas já o compreenderam e começa a assistir-se à criação das primeiras cadeias de produtos turísticos rurais, quer por parte de organismos públicos ou organismos associativos de promoção, quer de pequenos e médios operadores turísticos que cada vez em maior número se lançam neste sector... Mas estes pequenos êxitos não vão alterar a situação de um dia para o outro; ainda há muito por fazer para explorar ao máximo esta tendência.



3 Uma estratégia para o turismo rural


a. Em primeiro lugar, posicionar-se bem. Não repetir os erros da indústria do turismo clássica e apontar para a gama alta.


Porquê a gama alta?

A tendência para a diminuição de preços dos produtos turísticos clássicos organizados não oferece condições para uma economia turística sólida: com um preço médio nos diversos catálogos de 400 ecus por semana em pensão completa (sem viagem) para um produto de descoberta em meio rural clássico, a contribuição em termos de valor acrescentado para a economia local é muito pequena; em geral ficará reduzida ao alojamento e à restauração, muitas vezes negociados a preços baixíssimos. Aliás, estes produtos só dão rendimento se se tratar de volumes de produção importantes, que permitam economias de escala, o que não será normalmente o caso das zonas LEADER.

O turismo rural deve, por um lado, posicionar-se na gama alta se quiser que sejam injectados nele rendimentos suplementares e sejam criados empregos na zona e, por outro, deve centrar as suas actividades no turismo fora de estação, porque é aí que se podem optimizar as estruturas de acolhimento e do pessoal disponíveis.


O que é a gama alta?


Em termos de preços, define-se gama alta como um preço normal de 100 ecus/dia em pensão completa (sem viagem). Este preço, para ser praticável, deve corresponder a serviços específicos que o distinguem do produto de luxo (cujo nível de preços elevados - mínimo de 250 ecus/dia - é definido essencialmente por normas de serviço hoteleiro de alto nível e por destinos de prestígio).


  • A gama alta é, em primeiro lugar, uma imagem de produtos mais virados para a emoção do que para o consumo;

  • é um serviço turístico personalizado, que não permite grupos de mais de 15 pessoas;

  • é um produto de acolhimento/ alojamento muito típico, em que é fundamental a importância da decoração, do ambiente e da tradição culinária;

  • é um produto com um conteúdo de animação importante; a qualidade da prestação humana é a primeira componente do produto.



b. Estruturar uma oferta diversificada


  • Produtos de geometria variável.

    A gama dos produtos turísticos oferecidos deve ser grande e cobrir desde os produtos muito completos e muitos estruturados em torno de um tema, até produtos mais flexíveis, que permitem maior autonomia (do tipo "produtos em kit" - acolhimento, serviço de reserva, animação "à lista", preparação de itinerários, etc.), sem esquecer os produtos técnicos, do tipo seminários de empresas ou turismo escolar. Os produtos a preço fixo da gama alta devem ser considerados como "montras" de promoção da zona, com um efeito de atracção em relação a um turismo individual de qualidade.


  • Uma variedade na gama dos produtos oferecidos que corresponda à diversidade da clientela.

    Atenção à monoprodução: não existedes não existe uma clientela, mas sim várias clientelas; un não existe um mercado lucrativo, mas sim vários segmentos de mercado com lógicas específicas em termos técnicos.



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