ADVERTÊNCIA IMPORTANTE - As informações contidas neste sítio Internet estão sujeitas e a uma cláusula de exclusão de responsabilidade e a um aviso relativo ao copyright

esdeenfritpt


Ambiente e desenvolvimento local

Parque natural regional de Haut-Jura

típo de documento: artigo
palavras chave: ambiente,
fonte: LEADER magazine n°6 - 7/94
data de publicação: 1995

federar, valorizar, proteger

Federar quarenta e seis autarquias em torno da protecção do ambiente e do desenvolvimento rural, promover uma melhor valorização dos recursos, proteger o património natural e cultural da zona: podemos assim resumir a acção do Parque natural regional do Haut-Jura (França) apoiada pelo LEADER.

A sala de reuniões da "Maison du Haut-Jura" está cheia: 35 autarcas ou delegados de autarquias não hesitaram em enfrentar a neve para se deslocarem à pequena aldeia pendurada nos cumes de Lajoux (altitude 1180m), sede do Parque Natural Regional do Alto-Jura (França). A 23 de Fevereiro de 1994, a Comissão mista de gestão do Parque, presidida por Noel Georges Grenier, reune o seu comité trimestrial com dois dossiers na ordem do dia: o estado de desenvolvimento do programa LEADER Haut-Jura (balanço de 1993 e programação para 1994) e a realização de um "contrato de ribeira" para a Bienne, o principal curso de água da região.

Os dois dossiers são complementares e representativos da acção conduzida pelo Parque Natural regional nesta zona frágil de Franche-Comté, fronteiriça com a Suiça: o programa LEADER-Haut-Jura, muito "ambientalista", combina bem com o projecto da Bienne que consiste na limpeza da ribeira e revitalização da sua bacia, tendo em conta todos os parâmetros ambientais, económicos, culturais e sociais da zona ribeirinha.

"Reunimos solidariamente as 46 autarquias da zona em torno deste projecto", afirma com orgulho Marc Forestier, director do Parque. "Todas as autarquias, mesmo as não ribeirinhas, aceitaram participar financeiramente no contrato da ribeira; a nossa acção começa a produzir os seus frutos: a missão de uma estrutura de tipo Parque Natural Regional é, entre outras, federar as diferentes entidades de um território (autarquias, empresas, organismos profissionais, associações, etc.) , tendo como objectivo um desenvolvimento duradouro."

O reforço da cooperação entre todas as autarquias é a medida nº 1 do programa LEADER Haut-Jura. Como grupo de acção local, o Parque organizou um serviço especializado que oferece aos projectos de grupos de autarquias que o desejem uma gama de prestações gratuitas: apoio técnico para a identificação de projectos com vocação ou dimensão inter-autárquica, ajuda à definição das competências necessárias, estudos sobre as incidências financeiras, etc.

O LEADER, fornece assim ajuda aos estudos de ordenamento de zonas de actividades inter-autárquicas e permitiu já ao Parque lançar uma reflexão de base territorial sobre o futuro do comércio e do artesanato local, tendo em conta as necessidades específicas das pequenas autarquias.

Bosque ajardinado

60% da superfície do Haut-Jura é arborizada. A produção florestal é relativamente fraca mas de qualidade. A melhor essência - a "epicea" - é utilizada na produção de instrumentos de cordas em vários tipos de marcenaria e na carpintaria. Graças à "epicea", a zona também produz caixas em madeira, para queijos, para toda a França.

Dos 45 000 ha de floresta, dois terços pertencem a proprietários privados e estão repartidos em pequenas parcelas muito divididas. Uma grande acção do Parque consiste em ajudar estes proprietários a melhor gerirem a floresta.

O Parque incentiva o tratamento florestal em "bosque ajardinado", que assegura um coberto vegetal permanente e controlado, permitindo uma regeneração natural, e daí uma resistência muito maior e uma qualidade mais elevada das essências silvícolas, uma melhor gestão da paisagem e a manutenção da fauna e da flora. Esta gestão dinâmica do povoamento por "descompressão" produz uma importante quantidade de ramos de árvores e de outros detritos vegetais que foram até agora deixados no local em vez de serem valorizados. Daí, uma acção LEADER visando a valorização energética dos recursos florestais.

Aquecimento

Trata-se de pôr em funcionamento caldeiras que consumam "lenha de desmatação" e outros sub-produtos da exploração e transformação da madeira. A prazo, pretende-se a criação de uma verdadeira fileira de valorização deste potencial energético local. "Faz-se a promoção da "descompressão" mas não conseguimos escoar toda esta lenha", explica Patrick Léchine, responsável do Parque para a "Floresta". "A valorização energética parece ser a melhor solução, ecológica e economicamente. Se conseguirmos em lenha para energia o equivalente a mil toneladas de petróleo, criaremos localmente 4,5 empregos, contra 1,4 para o combustível liquido e 1,2 para o gás."

Este sistema necessita que se instalem a montante máquinas que transformem a lenha em "blocos" capazes de servir de combustível a um tipo de caldeiras muito pouco poluentes e já muito correntes na Austria, Suiça e Escandinávia.

Moirans, uma autarquia com 2 500 habitantes, prevê a instalação de uma rede de aquecimento para estabelecimentos públicos e privados. Os estudos de viabilidade foram financiados em 70% pelo LEADER, que participará também na compra de maquinaria (em cerca de 60% dos custos) e das caldeiras (45%). Por outro lado, já foram apresentados ao Parque, por particulares, 7 projectos de pequenas centrais de aquecimento (financiamento LEADER: 25%). Um destes tipos de aquecimento já está instalado numa casa privada com quartos para alugar.

Relva de sequeiro

A gestão eficaz do espaço passa, evidentemente, pela manutenção na zona da actividade agrícola e o Parque procura facilitar a transmissão-retoma das explorações agrícolas , não tendo a maioria delas sucessores em vista por volta de 1995. O LEADER permitiu o recrutamento, pela Câmara de Agricultura, de um engenheiro agrícola que se encarrega da análise da situação e das evoluções previstas, com funções de sensibilização junto das autarquias e de apoio na montagem de projectos de transmissão ou instalação de jovens agricultores.

A manutenção da actividade agrícola (essencialmente leiteira) tem repercussões importantes ao nível do turismo: o Haut-Jura é rico em pastagens constituidas por "relva de sequeiro" (solo calcário coberto por uma fina camada vegetal) formando espaços abertos propícios ao passeio e onde cresce uma variedade rara de orquídeas. "E preciso incentivar por todos os os modos os agricultores a conservar as suas relvas de sequeiro", afirma Catherine Laperierre, engenheira agrícola. "Estas pastagens são o fruto do sistema de transumância próprio da região. Ora, este sistema está em vias de desaparecer, porque assentava em grande parte nos agricultores suiços que vinham alimentar as suas vitelas nas nossas pastagens.

O reforço das fronteiras externas da União Europeia, entre outros efeitos, torna esta prática cada vez mais difícil e o número de cabeças diminui de ano para ano."

Chapéu de polícia

Gerir as paisagens, evitar por exemplo a reflorestação de certos sítios, eis uma grande preocupação do Parque do Haut-Jura. As razões são ecológicas - a zona comporta biótopos em tetraonídeos (galos de charneca, frangas, etc.) que têm necessidade de espaços florestais abertos - e turísticas: "vários estudos provaram que floresta a mais aborrece, chegando até a angustiar os visitantes urbanos" explica Christian Bruneel, o responsável do Parque para o ambiente. "Tivémos isso em conta na elaboração dos nossos percursos pedestres. Procedemos a uma limpeza paisagística. O Haut-Jura conta também com sítios geofísicos excepcionais, como o "Chapéu de polícia", modelo de anticlíneo que figura em todos os manuais franceses de geografia; ora, este sítio por não ser tratado, tornou-se completamente invisível por causa da arborização natural..."

O LEADER tem acompanhado a coordenação, o ordenamento e a sinalização de percursos pedestres.

Está quase pronto um sistema de sinalização em toda a zona mas "não se trata de instalar placas um pouco por todo o lado ao longo dos percursos" esclarece Louis-Pierre Mareschal, responsável pelo turismo. "Pretendemos evitar a multiplicação de sinaléticas: realizámos uma tipologia de sítios e só um sítio de cada tipo é que está ordenado. A mesma coisa para a sinalização dos percursos pedestres ou BTT, por exemplo: só as intersecções estão assinaladas. Queremos que o visitante seja activo na sua descoberta." Foi produzido um mapa à escala de 1/50 000 que, para além das informações práticas clássicas, menciona no verso recomendações aos caminhantes sobre o plano de protecção dos meios naturais e das actividades agrícolas, incluindo mesmo uma iniciação à observação da dimensão sonora das paisagens.

No que diz respeito particularmente às bicicletas todo o terreno (BTT), foram fornecidas às autarquias da zona, 25 passagens, que permitem atravessar as vedações mas impedem o gado de se escapar.

O Parque Haut-Jura está a realizar outras acções LEADER a favor do turismo: cerca de 600 000 ECU estão a ser investidos na melhoria dos estabelecimentos de hotelaria familiar, dois projectos de parque de campismo em quintas estão agora em estudo, estando ainda prevista para este Verão uma operação "Brunch na quinta"(Brunch= Breakfast + Lunch, NDT).

Está também em curso a colocação em rede regional e nacional de um "servidor" telemático ("3615 HT Jura"). Esta rede permitirá um contacto automático com outros "servidores", especialmente para fins turísticos (Ex: homogenização da informação difundida pelos gabinetes locais de turismo) e meteorológicos (utilização do "servidor" pela "Météo France" para os dados relativos à altura da neve).

O LEADER financia também em parte um observatório do turismo que reune os dados sobre a frequência nos diversos sítios, sobre os diferentes tipos de alojamento e sobre os locais de animação.

Ecologia sonora

A animação é, com efeito, uma preocupação importante para o Parque, que está por isso a apoiar as acções de um "Atelier do ambiente". Entre outras coisas, esta estrutura organiza intervenções em meio escolar, tendo como objectivos dar a conhecer melhor a riqueza do capital natural de Haut-Jura e de preparar os jovens para ocupações de turismo.

"Devemos igualmente inovar, encontrar animações originais ligadas ao ambiente, sair dos caminhos batidos da interpretação da natureza"- afirma Chantal Cathenod, reponsável pela comunicação. "Devemos igualmente inovar, encontrar animações originais ligadas ao ambiente, sair dos caminhos batidos da interpretação da natureza"- afirma Chantal Cathenod, reponsável pela comunicação.

O Parque organiza este Verão a segunda edição de "Bis Repetita", "festival da ecologia sonora", único na Europa: uma associação local ACIRENE ("Associação de criação, informação e investigação para uma nova audição do ambiente") procedeu ao inventário do património sonoro do Parque (sítios naturais, sinos de igreja, construções tradicionais que oferecem uma boa acústica, etc.) e durante 4 dias, o Haut-Jura oferece aos amadores de som e da natureza concertos de chocalhos, sinos, gaitas de foles escocesas, trompas de caça e dos Alpes, cantos bascos, cantos difónicos mongóis, etc.

O primeiro festival "Bis Repetita" teve já um importante impacto: durante todo o ano, os visitantes do Haut-Jura podem fazer circuitos pré-estabelecidos por caminhos de grande qualidade sonora, ao longo dos quais podem apreciar as ressonâncias particulares de cerca de trinta sítios naturais.

LEADER Haut Jura
Superfície da região: 692 km2
População 44 117 habitantes
Financiamento LEADER: 6 069 000 ECU
CEE: 2 000 000 ECU
Público: 2 316 000 ECU
Privado: 1 753 000 ECU

LEADER Haut-Jura
Parc naturel régional du Haut-Jura
Maison du Haut-Jura, F-39310 Lajoux
Tel: 00 33 84 41 20 37 - Fax: 00 33 84 41 24 01


European Flag

Comissão
Europeia

Direcçáo-geral
da Agricultura